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Dois acidentes com VLT em uma semana expõem fragilidades de cruzamentos em Jaboatão

Moradores cobram cancelas em passagem clandestina; CBTU articula fechamento

Marlon Júlio

Publicado: 19/10/2026 às 19:12

Passagem em nível Ângelo de Souza /Rafael Vieira/DP Foto

Passagem em nível Ângelo de Souza (Rafael Vieira/DP Foto)

O bairro de Jardim Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, contabilizou dois acidentes envolvendo o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em um intervalo de apenas sete dias. O caso mais recente aconteceu no último sábado (17), quando um trem colidiu com um carro de passeio em um cruzamento próximo à Estação Ângelo de Souza. Na ocasião, houve apenas danos materiais e ninguém ficou ferido.

Exatamente uma semana antes, no dia 10 de outubro, outra colisão foi registrada em outro cruzamento na entrada da comunidade do Areeiro. O impacto destruiu o automóvel e provocou a morte do motorista Antônio Souto. Uma passageira que estava no veículo também ficou ferida e precisou de atendimento médico.

A reportagem do Diario de Pernambuco esteve no local na manhã desta segunda-feira (19) e ouviu os relatos de quem convive diariamente com o perigo. A principal reclamação de quem circula pela área é a ausência de cancelas e a falta de uma sinalização eficiente nos cruzamentos operados pela linha férrea.

A catadora de recicláveis Carla Patrícia, de 48 anos, cruza os trilhos da comunidade do Areeiro todos os dias em busca de sustento. Segundo ela, a aproximação das composições ocorre frequentemente sem o devido alerta aos pedestres e motoristas.

"Às vezes ele buzina, às vezes ele não buzina. Tem vezes que ele só buzina quando já está em cima. Quando estou perto eu sempre aviso que o VLT está vindo", desabafa.

O operador de uma empresa de oxigênio situada próximo à passagem, Eduardo Henrique, de 30 anos, é morador da comunidade e cobra alternativas para evitar acidentes. "Moro aqui há 30 anos e até hoje não fizeram nada. Deveriam colocar uma cancela e uma melhor sinalização para evitar os acidentes. A sinalização que tem é pouca, e nem sempre o VLT buzina", frisa.

O ajudante de carga e descarga Maurício Sérgio, de 53 anos, usa a passagem como caminho para o trabalho e também acredita que uma cancela poderia evitar colisões. "Deveria ter um portão, como tem em outras passagens, para quando o VLT vir, acionar a cancela. Passar por aqui é muito perigoso", relata.

Diferentemente do trecho clandestino, a passagem em nível oficial, a Ângelo de Souza, que registrou o acidente no último sábado, conta com cancelas e guarita com um controlador responsável por sinalizar para que os carros e pedestres parem para o VLT passar. A equipe de reportagem constatou que as cancelas não estão funcionando. Segundo moradores, elas estão sem operar há cerca de um ano, fazendo com que a sinalização seja feita apenas por placas e pelo controlador, que sinaliza com bandeira e apito.

O cruzamento próximo à Estação Ângelo de Souza, na Rua Tuntum, é uma "passagem em nível", caracterizada por não haver elevação acentuada de relevo sob os trilhos em relação ao piso da pista dos carros.


CBTU planeja fechar o acesso clandestino

Procurada pela reportagem do Diario de Pernambuco, a CBTU Recife informou que está em tratativas com a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes para fechar em definitivo a passagem clandestina utilizada pela comunidade. Pelo acordo, a companhia ferroviária ficará responsável pelo projeto técnico, enquanto o município assumirá a execução da obra.

A CBTU ressaltou que o acesso na comunidade do Areeiro já foi bloqueado em ocasiões anteriores, mas os trilhos fincados para impedir a passagem de veículos acabaram sendo arrancados. Por considerar o trecho perigoso, a empresa afirmou que fará um trabalho de conscientização com a vizinhança para evitar que a via seja reaberta após a nova intervenção. O Diario também aguarda o posicionamento da entidade sobre o funcionamento das cancelas na passagem em nível Ângelo de Souza.

A reportagem também acionou a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes para obter detalhes sobre os prazos da obra e o ordenamento do trânsito na área e aguarda o retorno.

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE), Luiz Soares, é necessário um estudo que avalie o impacto da passagem clandestina.

"É preciso que se faça um estudo técnico para saber qual é o melhor caminho para a passagem clandestina. Se o melhor a se fazer é oficializar ou fechar de vez, além de um trabalho de conscientização da população. Nossos maquinistas sempre buzinam quando estão se aproximando, são orientados a isso, mas nem sempre as pessoas respeitam e querem passar, mesmo com a aproximação do VLT", pontua.

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