Casa da Cultura e Estação Central são tombadas como Patrimônio Cultural Brasileiro
Antiga Casa de Detenção e Estação Central do Recife ganharam tombamento oficial federal aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Publicado: 23/09/2026 às 18:47
A Casa da Cultura agora é tombada como patrimônio pelo Iphan (Karol Rodrigues/ DP Foto)
Os imóveis que abrigam a Casa da Cultura de Pernambuco e a Estação Central do Recife (atual Museu do Trem) foram tombados definitivamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta quarta-feira (23). A decisão foi tomada durante reunião realizada nesta quarta (23) em Brasília.
Ambos os prédios passam a ser protegidos com o título oficial federal de Patrimônio Cultural Brasileiro. Os dois já eram tombados como patrimônio estadual.
Construída no século 19 para funcionar como Casa de Detenção do Recife, a Casa da Cultura permaneceu como unidade prisional entre 1855 e 1973. Projetada pelo engenheiro Mamede Ferreira, segue o modelo de “panóptico radiante”, com as celas organizadas a partir de um pátio central. O imóvel é reconhecido pelo Iphan por sua importância para a história penal brasileira e para a arquitetura penitenciária do período. Em 1976, após passar por restauros e uma série de adaptações, o prédio foi reinaugurado como Casa da Cultura de Pernambuco.
Inaugurado em 1888, o conjunto histórico e arquitetônico da Estação Central do Recife é um exemplar da arquitetura do ferro no Brasil e atualmente abriga o Museu do Trem, reinaugurado em 2026 após processo de restauro iniciado em 2022.
Os dois imóveis passam a ter proteção federal, reforçando o reconhecimento de espaços que fazem parte da história e da memória do Recife
Movimento de turistas na Casa da Cultura
Apesar do reconhecimento histórico, trabalhadores relatam que o movimento de visitantes na Casa da Cultura diminuiu nos últimos anos. Djanira Gomes, funcionária de uma loja há cerca de 25 anos, afirma que o fluxo de turistas está “muito parado”. Segundo ela, até os períodos tradicionalmente mais movimentados, como férias e Carnaval, mudaram.
Conceição, que trabalha no local há 35 anos, também percebe mudanças, embora tenha notado recentemente um pequeno aumento na presença de visitantes de Recife. Para ela, a divulgação tem ajudado a atrair público.
“Teve uma propaganda muito boa na televisão, que está vindo o pessoal para a Casa da Cultura conhecer”, contou. A estrutura é apontada como um dos problemas do espaço. Conceição considera o prédio “maravilhoso”, mas defende uma revitalização. “Tem que melhorar um pouco a pintura lá fora, dar uma revitalizada, ajeitar, porque aqui os turistas amam esse lugar”, afirmou.
Ana Degia, proprietária de uma loja, também critica as condições do espaço e cita dificuldades até para orientar os visitantes. “Aqui tem bastante falta de estrutura. Poderia ser melhor, revitalizado. Eu fico até meio constrangida de falar onde fica o banheiro, pois não é uma coisa organizada”, disse.
Entre os visitantes encontrados pela reportagem estava Eduardo Burgos, morador do Recife que conhecia a Casa da Cultura de nome, mas nunca havia entrado. Ele decidiu conhecer o espaço após resolver um compromisso no Centro.
“O positivo é que aqui se transformou num ambiente de alegria, de cultura. O negativo é que você ainda sente a presença claustrofóbica, aquele ambiente pesado”, avaliou. Para ele, falta divulgação para estimular moradores e turistas a conhecerem o local. “Eu sei que isso aqui existe, mas não tem uma propaganda, não tem nenhum incentivo dizendo: ‘vá visitar’”, afirmou.
Eduardo também chamou atenção para a acessibilidade. Segundo ele, a estrutura não oferece condições adequadas para pessoas com deficiência. “Eu não vi nenhuma sensibilidade para deficiência. Não tem rampa”, disse.