Há 12 anos, abrigo no Recife proporciona aconchego para animais abandonados
Atualmente, o abrigo Eu Amo Animais PE cuida de aproximadamente 90 cães e gatos que estavam abandonados em ruas do Grande Recife
Publicado: 16/09/2026 às 07:30
Atualmente, o abrigo atende cerca de 90 animais, sendo distribuídos entre a casa de Elpídio Araújo e a sede da instituição. (Foto: Divulgação / Abrigo Eu Amo Animais PE)
Livrar dos maus-tratos de tutores e proporcionar um aconchego para cães e gatos abandonados. Esses são os dois principais motivos que movem há 12 anos o abrigo Eu Amo Animais PE, localizado no bairro do Prado, na Zona Oeste do Recife.
Criado em 2014, o abrigo acolhe animais que estavam em situação de abandono em ruas do Grande Recife, seguindo os passos do padroeiro da ecologia, São Francisco de Assis, que nomeava a instituição nos primeiros anos de funcionamento.
“O abrigo surgiu da necessidade de acolher uma cadela e seis filhotes que foram abandonados em Casa Amarela. Diante dessa necessidade, tivemos que limpar todo o espaço onde é o atual abrigo para darmos esse lar temporário. Com o tempo, todos os animais foram adotados”, relembrou o fundador, Elpídio Araújo.
Atualmente, o abrigo atende cerca de 90 animais, sendo distribuídos entre a casa de Elpídio Araújo e a sede da instituição. Todos os animais atendidos foram castrados e vacinados na instituição.
Além dessa atividade direta, o abrigo ainda ajuda nos cuidados de 50 cães e gatos da cidade de Itaíba, no Agreste de Pernambuco, e no desenvolvimento do projeto Abrigo Ajudando Abrigo.
“Quando recebemos doações de ração do banco de alimentos do Ceasa, nós distribuímos com outros abrigos que prestam o mesmo serviço, e foi aí que surgiu o projeto Abrigo Ajudando Abrigo. Nesse projeto, damos assistência na distribuição de rações e medicações para outros abrigos que precisam”, explicou Elpídio Araújo.
Dificuldades financeiras
Para manter as atividades, o abrigo tenta arrecadar recursos financeiros com a venda de discos de vinil, livros e CDs em um brechó localizado na rua Clube Náutico Capibaribe, próximo ao Cinema São Luiz, na área central do Recife. O local também funciona como ponto de arrecadação de ração, materiais de limpeza e medicamentos.
Apesar disso, segundo Elpídio Araújo, o esvaziamento do Centro do Recife também tem impactado na arrecadação do abrigo, fazendo com que ele precise tirar dinheiro do próprio bolso para custear as ações da instituição.
“Quando a ajuda do banco de alimentos do Ceasa não chega, temos que tirar muitas vezes o dinheiro dos nossos bolsos para custear atendimento com veterinários, que é bastante caro. E o pior é que nenhum abrigo de nosso estado recebe apoio das prefeituras, já que fazemos o papel delas, que é de resgatar e alimentar esses animais. Se tivéssemos o apoio necessário dos órgãos públicos, a vida dos abrigos seria uma maravilha", ressaltou.
Denúncia de golpe
Além dessas dificuldades, o abrigo alega ter sido vítima de golpe no ano passado. Segundo Elpídio Araújo, o golpe foi aplicado por um engenheiro, que cobrou R$ 6.818 para realizar uma reforma na sede do abrigo.
O imóvel apresenta infiltrações e precisa de pintura. No entanto, segundo o fundador do abrigo, o profissional não cumpriu o serviço acordado em 2023 e, até o momento, não devolveu o valor.
De acordo com a equipe jurídica do abrigo, o caso segue em andamento na Justiça, justamente para que os fatos sejam esclarecidos e para que sejam adotadas as medidas cabíveis.
Apesar dessas dificuldades, a transformação que é proporcionada na vida desses animais faz com que o abrigo se mantenha de pé por mais de uma década.
“Cada um dos animais que resgatamos nestes 12 anos tem sua história. Na maioria das vezes, eles estão em situações lamentáveis. Mas o que traz um pouco de paz para nós é saber que demos o nosso melhor para esses cães e gatos para mudar as realidades deles. Basta ver a diferença do antes e depois da vida que eles tinham na rua e atualmente sob nossos cuidados”, finalizou Elpídio Araújo.