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ONG Giral transforma educação em oportunidades para mais de 5,4 mil pessoas em Pernambuco

Há quase 20 anos, ONG Giral usa educação, cultura e formação profissional para ampliar perspectivas de crianças, jovens e idosos em Pernambuco

Cadu Silva

Publicado: 12/08/2026 às 07:00

Idosas confeccionaram cachorros de tecido para doar a crianças com TEA  atendidas pela Unifafire, no Recife/Foto: Cortesia/ONG Giral

Idosas confeccionaram cachorros de tecido para doar a crianças com TEA atendidas pela Unifafire, no Recife (Foto: Cortesia/ONG Giral)

Antes de ser uma escola de tecnologia, um espaço de música, empreendedorismo, artes ou atividades para idosos, a Giral nasceu de uma preocupação: criar oportunidades para que jovens do interior de Pernambuco não precisassem deixar suas comunidades em busca de trabalho. Criada em 2007, a organização começou oferecendo capacitação, principalmente na área de tecnologia, e hoje alcança diferentes gerações.

Ao longo de quase duas décadas, a Giral ampliou o público e as áreas de atuação. Atualmente, são dez projetos desenvolvidos em cinco municípios, com 5,4 mil pessoas atendidas diretamente e cerca de 25 mil alcançadas indiretamente. Para o fundador, Everaldo Costa, o principal resultado não pode ser medido apenas em números, mas nas possibilidades que surgem quando alguém passa a acreditar no próprio potencial.

“A gente vê que, quando as pessoas chegam à Giral, elas enxergam a instituição como uma oportunidade de realizar seus sonhos. Isso gera autoestima e cria uma perspectiva de vida”, afirma.

A trajetória da organização também é marcada por pessoas que passaram pelos projetos e, anos depois, voltam para fazer parte da própria Giral. Outros seguiram caminhos diferentes, chegaram à universidade, ingressaram no mercado de trabalho ou abriram os próprios negócios.

A organização também apoia o empreendedorismo. Mais de 300 empreendimentos já receberam suporte da organização, que oferece capacitação e recursos financeiros para que os participantes possam colocar em prática seus projetos. Em Pombos, duas jovens que participaram da iniciativa abriram um estúdio de beleza. O negócio cresceu e uma delas foi reconhecida pelo Sebrae entre as dez melhores empreendedoras de Pernambuco.

“Temos vários casos de pessoas que conseguiram, a partir disso, transformar suas realidades e realizar seus sonhos”, conta Everaldo.

 

Da juventude à terceira idade

A Giral também mudou com o tempo. Se no início o foco estava nos jovens, hoje a organização desenvolve atividades da primeira infância à terceira idade. São ações de tecnologia, moda, música, ballet, teatro, dança, educação ambiental, esportes e empreendedorismo.

A organização mantém cinco estruturas físicas em Glória do Goitá, Ipojuca, Pombos, Feira Nova e Lagoa do Itaenga. As inscrições são divulgadas pelas redes sociais, site e imprensa. A procura, segundo Everaldo, costuma superar o número de vagas disponíveis.

Entre os projetos está uma orquestra formada por adolescentes que passaram pelo projeto de música da organização. Os integrantes recebem bolsas e alguns já cursam graduação ou formação técnica na área.

Também há iniciativas voltadas para mais de 300 pessoas idosas em dez municípios. As atividades incluem empreendedorismo, tecnologia, artes e esportes, com foco na qualidade de vida.

Uma dessas ações resultou em uma experiência que foi compartilhada nesta segunda-feira (10). Em oficinas de artesanato, um grupo de idosas confeccionou cachorros de tecido inspirados na relação afetiva que muitos mantêm com seus animais de estimação. Os produtos foram doados a crianças atendidas pela Unifafire, no Recife.

A atividade nasceu de rodas terapêuticas e conversas com as participantes. Para elas, o animal muitas vezes representa companhia quando os filhos saem de casa e a rotina fica mais solitária. A ideia foi transformar esse afeto em uma produção feita pelas próprias mãos para ser entregue a crianças transtorno do Espectro Autista (TEA).

Uma rede que ultrapassa os projetos

O trabalho também chega às famílias. Todos os meses, a Giral promove seminários abertos à comunidade sobre temas como direitos das crianças e adolescentes, empoderamento feminino, cultura, raça e etnia. Eventos culturais, feiras de saúde e atividades esportivas também fazem parte da programação.

A equipe reúne aproximadamente 100 profissionais e 50 voluntários. Manter toda essa estrutura, porém, é um dos desafios da organização, que não possui orçamento próprio e depende de patrocínios, parcerias e voluntariado.

“É tudo muito bonito, mas é financiado. A gente precisa de recursos. O grande desafio hoje é como conseguir recursos para manter tudo isso”, explica Everaldo. 

Mesmo diante das dificuldades, o fundador enxerga a Giral como uma espécie de prova de que iniciativas sociais podem produzir mudanças concretas. “A Giral representa um território educativo, uma célula que mostra e comprova o poder da educação na transformação social das pessoas”, diz.

Quase 20 anos depois do início do projeto, a ambição é levar essa experiência para outros territórios. Mais do que aumentar o número de atendimentos, Everaldo espera que os participantes possam construir autonomia e seguir seus próprios caminhos.

“Eu vejo a Giral maior, em outros lugares, em outras cidades, em outros estados. E vejo as pessoas realizando seus sonhos a partir das oportunidades que tiveram”, afirma.

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