Barco de monitoramento faz três saídas no Grande Recife e não captura tubarões
Projeto ECOTUBA realizou seis lançamentos de espinhel nos primeiros dias de operação; próximas expedições estão previstas para os dias 12 e 13 de setembro
João Tavares - Especial para o Diario
Publicado: 08/09/2026 às 18:37
Pesquisadores do Projeto ECOTUBA realizam trabalho de monitoramento em pontos do litoral de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes (Paulo Oliveira/Cortesia)
O monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife (RMR) realizou três saídas nos primeiros dias de operação, mas nenhum animal foi capturado até o momento. Ao todo, foram feitos seis lançamentos do aparelho de pesca com espinhel em pontos de Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes.
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas-PE), o balanço inicial é positivo, já que as atividades permitiram ajustar a operação de captura e os protocolos a bordo.
As expedições são realizadas pelo Projeto ECOTUBA, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a bordo da embarcação Marco Zero. O trabalho foi retomado na última sexta-feira (4), após 11 anos de paralisação, e terá duração de dois anos.
Segundo o professor e pesquisador Paulo Oliveira, as primeiras saídas serviram principalmente para ajustar a operação de captura e os protocolos que serão utilizados durante as atividades de pesquisa.
“Depois de três saídas com a embarcação Marco Zero e de lançarmos o aparelho de pesca seis vezes, temos o entendimento de que o início foi positivo, pois serviu para ajustarmos toda a operação de captura dos animais, bem como os protocolos a bordo”, explicou.
Onde ocorreram as primeiras expedições
Durante as três saídas, os pesquisadores fizeram lançamentos em diferentes pontos do litoral da RMR. Segundo a Semas-PE, em Olinda, o trabalho ocorreu em frente à Praia de Del Chifre. No Recife, foram escolhidas áreas em frente ao Porto e nas proximidades do Quiosque 29, em Boa Viagem. Já em Jaboatão dos Guararapes, os lançamentos aconteceram nas proximidades da Igrejinha de Piedade.
De acordo com Paulo Oliveira, o aparelho de pesca foi lançado em profundidades entre 10 e 20 metros, a uma distância aproximada de 2 a 3 quilômetros da costa.
O monitoramento deve percorrer cerca de 30 quilômetros do litoral, abrangendo Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, áreas que concentram a maioria dos incidentes registrados com tubarões no estado.
Próximas saídas
O projeto prevê 100 expedições ao longo dos dois anos de duração. A programação estabelece entre quatro e dez saídas por mês, preferencialmente aos finais de semana, mas também podendo ocorrer às sextas e segundas-feiras.
As próximas expedições estão programadas para os dias 12 e 13 de setembro.
Segundo a Semas-PE, ainda não há dados que permitam identificar as espécies de tubarões presentes nas áreas monitoradas ou estabelecer padrões de circulação dos animais.
Como funciona o monitoramento
O projeto utiliza a pesca científica com espinhel para a captura dos animais. Quando um tubarão é capturado, ele passa por uma série de procedimentos de avaliação biológica, que incluem medição, identificação do sexo, coleta de sangue e tecido e, no caso das fêmeas, ultrassonografia para verificar o estágio reprodutivo.
Os animais também recebem dispositivos de identificação e transmissores que permitem acompanhar seus deslocamentos por meio de receptores instalados no mar.
A pesquisa tem como foco principalmente o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécies relacionadas a incidentes registrados no litoral pernambucano.
O projeto tem investimento de R$ 2,052 milhões e pretende gerar informações científicas sobre a presença, circulação e comportamento dos animais para contribuir com estratégias de prevenção de incidentes e conservação marinha.