Recife terá pedido de medida protetiva em torres de vigilância para mulheres
Medida é do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em cooperação técnica com a empresa responsável por operar mais de 650 torres de vigilância no Recife
Publicado: 03/08/2026 às 22:47
Torres de vigilância do Recife (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
As torres de videomonitoramento do Recife passarão a contar com ferramentas de proteção para mulheres vítimas de violência. Ao menos 650 equipamentos instalados na capital receberão QR Codes que darão acesso à plataforma Medida Protetiva de Urgência (MPU) Eletrônica, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
A medida entrará em vigor na próxima quarta-feira (5), quando o TJPE oficializará a cooperação técnica com a Qualiport, empresa responsável pela operação das torres no Recife.
Orientação
Os equipamentos terão informações e mensagens de orientação e proteção às vítimas, acompanhados dos QR Codes, que, lidos com o celular, levarão as mulheres ao site da Medida Protetiva de Urgência (MPU) Eletrônica, do TJPE.
Na plataforma, é possível fazer a solicitação de forma rápida, direta e sigilosa. É preciso preencher seus dados e os dados do agressor; e responder às perguntas. Após o envio do formulário, o juiz ou a juíza da comarca na qual a mulher reside será notificado e poderá analisar o pedido dentro de 48h.
Além das torres já em funcionamento, as novas estruturas da empresa passarão a contar com espaço próprio para a divulgação do material informativo.
Segundo o TJPE, a iniciativa integra as ações de prevenção previstas na Lei Maria da Penha e busca facilitar o acesso das mulheres aos canais de apoio do Poder Judiciário.
Cartórios de PE adotam medidas contra violência patrimonial
Os cartórios de Pernambuco passaram a adotar novos procedimentos para identificar mulheres em situação de vulnerabilidade durante a realização de atos notariais e de registro. As medidas estão previstas no Provimento nº 222/2026, da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ), e têm como foco a prevenção da violência contra a mulher, especialmente da violência patrimonial.
A regulamentação determina que tabeliães e registradores utilizem linguagem clara durante os atendimentos para garantir que todas as partes compreendam o conteúdo dos atos antes da assinatura.
Outra medida prevista é a realização de entrevista reservada com a mulher quando houver indícios de coação ou dúvidas sobre a livre manifestação de vontade. Segundo a norma, o objetivo é verificar se a decisão está sendo tomada de forma consciente e sem pressão.
O provimento considera em situação de vulnerabilidade mulheres cuja capacidade de decidir esteja comprometida por fatores físicos, psicológicos, econômicos ou sociais, além de vítimas de violência doméstica e familiar. Também orienta que sejam observadas situações de dependência econômica, deficiência, idade e fatores raciais que possam limitar a autonomia da mulher.
Nos casos em que houver medida protetiva de urgência ou a pedido da própria mulher, os cartórios deverão evitar o comparecimento simultâneo das partes, realizando atendimento individualizado. Se houver indícios de ameaça ou risco iminente, a serventia deverá comunicar o caso à polícia e à rede de proteção.
A norma também autoriza tabeliães e registradores a recusarem a prática de um ato quando persistirem dúvidas fundamentadas sobre a livre manifestação de vontade da mulher ou houver suspeitas de coação, fraude ou outro vício que comprometa a segurança jurídica da operação.
Em Pernambuco, a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-PE) informou que está orientando os cartórios do estado sobre a implementação das novas diretrizes.
A violência patrimonial é uma das formas de violência previstas na Lei Maria da Penha e inclui práticas como retenção de documentos, apropriação de bens, controle do patrimônio, restrição ao acesso ao próprio dinheiro e impedimento do uso de instrumentos de trabalho. Segundo o CNJ, o provimento estabelece protocolos para auxiliar os cartórios na identificação dessas situações durante o atendimento.