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Quadrilha usava falsas plataformas de investimento para aplicar golpes e movimentou R$ 188 milhões, diz polícia

Investigação aponta que grupo sediado em Pernambuco utilizava empresas de fachada, contas de terceiros e criptomoedas para ocultar valores; operação teve nova fase nesta quinta-feira (23)

Cadu Silva

Publicado: 23/07/2026 às 12:55

Delegado Caio Menezes, Adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos.
/Foto: ASCOMPCPE/VitorDutra

Delegado Caio Menezes, Adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos. (Foto: ASCOMPCPE/VitorDutra)

Uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes por meio de falsas plataformas de investimento chegou a movimentar mais de R$ 188 milhões num período de dois anos, segundo a Polícia Civil de Goias. O grupo é investigado por fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro.

Os detalhes da investigação foram apresentados nesta quinta-feira (23) pelo delegado Caio Menezes, adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), da Polícia Civil de Goiás.

A Operação Dark Wallet foi deflagrada com apoio da Polícia Civil de Pernambuco e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Recife, Olinda, Paulista, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Goiana e Caruaru.

Segundo a investigação, os envolvidos tinham a base em Pernambuco e utilizavam empresas de fachada, contas de terceiros e criptomoedas para movimentar e ocultar os valores obtidos com as fraudes.

De acordo com Caio Menezes, a apuração começou após uma vítima do estado de Goiás procurar a polícia relatando um prejuízo superior a R$ 640 mil. Segundo o delegado, a pessoa foi atraída por uma suposta oportunidade de investimento com promessa de altos retornos financeiros.

“Era o famoso golpe da falsa plataforma de investimento. Eles entram em contato alegando que existem investimentos com ganhos muito altos. Existe aplicativo, site falso, tudo para dar credibilidade à conversa inicial”, explicou o delegado.

Modus operandi

Conforme a investigação, os criminosos criavam sites para simular uma operação de investimento. As vítimas acompanhavam, por meio de plataformas falsas, supostos rendimentos que não existiam. No início, pequenos valores poderiam ser devolvidos para aumentar a confiança e estimular novos aportes.

“O aplicativo funciona como se fosse um game. A vítima informa que depositou determinado valor e eles atualizam aquele sistema com juros absurdos. A pessoa vai acompanhando aquilo, vai ganhando confiança e continua aportando”, afirmou o delegado.

Após receber os valores, o grupo utilizava empresas formalmente registradas, mas sem atividade real, como contas de passagem para movimentar o dinheiro. A polícia identificou ainda transferências para carteiras de criptomoedas e diferentes corretoras, em um processo que, segundo a investigação, tinha características de lavagem de capitais.

A análise das movimentações revelou que três empresas investigadas receberam valores que ultrapassam os R$ 188 milhões. “Como são empresas que não existem na prática, sem atividade empresarial, esses valores não têm uma justificativa aparente para terem entrado nessas contas”, disse Menezes.

O delegado afirmou que a organização possuía uma divisão de funções, com pessoas responsáveis pelo contato com as vítimas, pela movimentação financeira e pelo recrutamento de contas utilizadas no esquema.

“Normalmente, nesse tipo de organização, existe o núcleo de engenharia social, que conversa com a vítima; o núcleo operacional, que faz a estrutura funcionar; e o núcleo financeiro, formado por pessoas que recebem e movimentam esses valores”, explicou.

Primeira fase

A primeira etapa da investigação ocorreu no fim de 2025 após a identificação do golpe contra a vítima de Goiás. Na ocasião, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, realizou prisões temporárias e quebra de sigilo bancário de empresas e pessoas ligadas ao esquema.

Segundo o delegado, três pessoas foram presas temporariamente naquela fase. Com a análise dos dados bancários e do material apreendido, a polícia identificou uma estrutura maior e passou a investigar a lavagem dos valores obtidos com as fraudes.

Próximos passos

Nesta segunda fase da operação, os policiais apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos que serão analisados para tentar identificar novos integrantes, possíveis vítimas e a participação de cada investigado dentro da organização.

Também foram determinadas medidas como bloqueio de veículos, imóveis e contas bancárias, além do sequestro de valores relacionados ao prejuízo inicial da vítima.

“As investigações continuam para identificar outros núcleos, ampliar a responsabilização dos envolvidos e descobrir o destino final desses valores”, afirmou o delegado.

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