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Operação mira "Família dos Loucos", facção ligada ao PCC, que usava mototáxi para vender drogas no Sertão

O grupo também é suspeito de atuar no tráfico de armas e de usar contas de parentes para lavar dinheiro do crime

Diario de Pernambuco

Publicado: 22/07/2026 às 15:02

A operação foi realizada de forma integrada pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal/Divulgação/PF

A operação foi realizada de forma integrada pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal (Divulgação/PF)

Integrantes da facção criminosa “Família dos Loucos”, suposta aliada do Primeiro Comando da Capital (PCC), que usava serviços de mototáxi para vender e entregar drogas no Sertão de Pernambuco e da Bahia, foram alvos da Operação Hermes, deflagrada nesta quarta-feira (22). O grupo também é suspeito de atuar no tráfico de armas e de usar contas de parentes para lavar dinheiro do crime.

Ao todo, a ação policial cumpriu, nesta quarta, 12 mandados de prisão e 12 de busca e apreensão em Petrolina, no Sertão pernambucano, em Juazeiro (BA) e em São Paulo (SP). A operação foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), composta pelas polícias Federal (PF), Militar (PM), Civil e Penal.

O Diario de Pernambuco teve acesso ao mandado de prisão da Operação Hermes, que cita 15 investigados, alguns deles já presos anteriormente. Segundo o documento, a organização criminosa é liderada por Lucas Wanderson Silva de Oliveira, o “Gringo”, de 24 anos, descrito como chefe da “Família dos Loucos” e “possivelmente vinculado” ao PCC.

Gringo e a mulher, que é suspeita de receber a maior parte dos valores arrecadados do tráfico, foram detidos na quinta-feira passada (16), em Serra Talhada, no Sertão. Na ocasião, os investigadores apreenderam um carro, quatro cadernos de anotações e seis celulares.

Mensagens interceptadas pela investigação mostram que Gringo era chamado de “o homem” por outros investigados. Para a polícia, a expressão faz referência ao posto de comando que ele ocuparia na facção.

Família dos Loucos

De acordo com a investigação, a estrutura do grupo conta, ainda, com lideranças intermediárias, operadores financeiros e rede de revendedores.

Um dos principais gerentes seria Valmário Pereira de Castro, o “Duke”, de 24 anos, que está preso na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, em Petrolina, desde janeiro, quando foi flagrado transportando 4 quilos de cocaína e 7 de maconha.

Mesmo na cadeia, Duke seria responsável por coordenar o tráfico de drogas, cobrar os demais integrantes da facção e organizar a distribuição de dinheiro arrecadado. Para isso, ele tinha como “braço direito” o próprio cunhado e usava um celular, registrado no nome da esposa, de acordo com a polícia. Os familiares também estão entre os investigados.

De acordo com o documento, outros suspeitos diretamente ligados à “Família dos Loucos” são Anderson de Almeida dos Santos, o “Surf”, e Natan Ferreira de Figueredo, o “Augustin”. O primeiro atuaria na logística e distribuição das drogas. Já o segundo é apontado como revendedor dos entorpecentes.

 

Estrutura

Para transportar e entregar drogas, o grupo usava os serviços de mototáxi identificado como Diego Luciano da Silva, em ações chamadas de “caminhadas” pela facção, de acordo com a polícia. O suspeito seria pago por Ryan Max Souza Rodrigues da Silva, que é suspeito de cuidar da “exportação” da droga e também teve a prisão decretada.

Outro investigado, Wataanderson Matheus Barbosa de Almeida é suspeito de atuar como “gerente” na facção. Por sua vez, Jomerson da Silva de Sá Rocha, o “JS”, é apontado como “operador do depósito” do grupo, com função de receber, armazenar e distribuir drogas.

Já os indícios de tráfico de armas envolvem os investigados Evelyn Bianca da Silva Feliz, a “Abençoada”, acusada de gerenciar um ponto de drogas em Maniçoba (BA), e Antony José Pereira Noronha, o “Blessed”.

Segundo a investigação, Blessed teria enviado mensagens de áudio pedindo armas de fogo para “comandar uns 4, 5 cabeças”. Para a polícia, o conteúdo interceptado demonstraria que a organização contava com uma estrutura armada.

Já Sanderson Murilo de Souza é indicado como integrante do núcleo de “revendedores”. O Diario não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestação.

Operação Hermes

Para lavar dinheiro, a principal suspeita é que o bando usava contas bancárias de parentes e de laranjas. Entre os suspeitos de integrar a célula financeira do grupo, está a companheira de Gringo, o suposto líder, além da mulher e da irmã de Duke, o gerente.

“Os recursos obtidos com a atividade ilícita circulavam por meio de transferências eletrônicas pulverizadas em contas de terceiros, com indícios de lavagem de capitais”, diz a PF, em nota

Mais de 100 policiais da Ficco foram usados na Operação Hermes, de acordo com a PF. “O nome ‘Hermes’ faz referência ao deus da entrega na mitologia grega. A investigação identificou que o responsável pela droga terceirizava todas as entregas a um único mototaxista, remunerado por corrida — dinâmica que estruturava a logística de distribuição do grupo”, afirma.

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