Olinda é a oitava cidade do Brasil com mais roubo e furto de celular, segundo Anuário de Segurança Pública
Recife ocupa 11ª posição do ranking
Publicado: 23/07/2026 às 08:01
Pessoas manuseiam celulares em parada de ônibus em Olinda, no Grande Recife. (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
O município de Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR), tem a oitava maior taxa de celulares roubados ou furtados por 100 mil habitantes, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Recife ocupa a 11ª posição.
Olinda tem uma taxa de 1060,3 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes. Já Recife contabiliza 965,3 subtrações por 100 mil habitantes. Lidera o ranking São Luís-MA, com taxa de 1517, seguido de Belém-PA (1487), São Paulo-SP (1390,5), Salvador-BA (1195), Lauro de Freitas-BA (1144,5), Porto Velho-RO (1123,2) e Manaus-AM (1107,1).
Segundo o FBSP, os dados sobre roubos e furtos revelam que as maiores taxas estão fortemente concentradas em grandes centros urbanos, especialmente em capitais e cidades localizadas em regiões metropolitanas.
"Entre os 20 municípios com as maiores taxas do país em 2025, 14 são capitais estaduais e os demais são municípios vizinhos a grandes capitais, integrados às suas dinâmicas metropolitanas", afirma o fórum.
Das 20 cidades do ranking, oito estão no Nordeste, seis no Norte e outras seis no Sudeste.
Brasil
Em 2025, foram registradas 792.284 ocorrências de roubo e furto de celular no Brasil, uma taxa de 371,2 roubos/furtos para 100 mil habitantes. O número representa uma redução de 7,7% em relação a 2024, com 855.113 ocorrências. Em comparação com 2019, quando o país teve o pico de incidência desses delitos, com 1.053.433 ocorrências, a redução é de 25%.
O FBSP destaca, entretanto, que a análise separada dessas ocorrências verifica tendências distintas. "Enquanto os roubos de celular tiveram redução de 18,6% entre 2024 e 2025, os furtos de celular apresentaram incremento de 0,9%", explica. O resultado indica que 6 a cada 10 celulares subtraídos no Brasil são provenientes de furtos.
A redução do indicador agregado de roubos e furtos ocorreu em 25 estados. As reduções mais expressivas foram registradas no Rio Grande do Norte (-22,1%), Mato Grosso (-20,6%), Goiás (-19,6%), Amazonas (-19,2%) e Espírito Santo (-18,2%). Apenas duas unidades da federação registraram elevação: Rio de Janeiro (+22,7%) e Paraíba (+21,1%).
Perfil
Os números mostram ainda que os furtos têm maior incidência aos finais de semana, com sábados e domingos concentrando 34,5% das ocorrências. Já os roubos ocorrem mais nos dias úteis (73,1%), com picos às sextas-feiras.
Março de 2025 teve o pico de incidência tanto de roubos quanto de furtos, o que, segundo o fórum, pode ter relação com o carnaval. No Nordeste, o pico se dá nos meses de fevereiro, março e junho, "que concentram respectivamente pré-carnaval, carnaval e São João".
O FBSP também informa que homens parecem estar mais sujeitos aos roubos do que as mulheres, concentrando 59,8% dos casos. Já os furtos são distribuídos de modo equilibrado, com 50,3% atingindo homens e 49,7%, mulheres.
"Pessoas negras são as principais vítimas em ambos os crimes, mas no caso dos roubos, os negros chegam a representar 66,9% das vítimas, ao passo que constituem 57% das vítimas entre os furtos de celular", avalia o fórum.
Hipóteses
Considerando apenas roubos de celular, a redução em 2025 foi de 18,6% no país, com queda em 26 das 27 UFs - a exceção é do Rio de Janeiro, com crescimento de 19,4%.
A primeira hipótese do FBSP para a diminuição está relacionada ao risco envolvido na prática do crime. "O roubo exige contato direto entre o criminoso e a vítima, com uso de violência ou ameaça, o que aumenta significativamente a chance de o autor ser identificado ou preso. Há maior possibilidade de reação da vítima, intervenção de terceiros que estejam por perto, ação policial e registro por câmeras de segurança. Já o furto ocorre sem confronto direto", avalia.
Para o fórum, expansão das câmeras de monitoramento, maior foco das polícias no combate a estes crimes e adoção de comportamentos na população para dificultar abordagens violentas podem explicar os números.
"A segunda hipótese diz respeito à redução do retorno econômico do roubo de celulares", diz o anuário. O documento cita o Programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que até 2025 reunia mais de três milhões de celulares cadastrados.
"No entanto, os efeitos do programa não são os mesmos para roubos e furtos. Nos roubos, é comum que o criminoso obrigue a vítima a entregar o celular desbloqueado ou a informar suas senhas. Isso permite acesso imediato a aplicativos bancários e amplia o ganho obtido com o crime. Já nos furtos, o aparelho normalmente permanece bloqueado quando é levado, limitando seu valor principalmente à venda de peças ou à revenda em mercados informais".
A avaliação é que o programa reduziu sobretudo a rentabilidade do roubo, ao dificultar o acesso às contas e aos recursos financeiros das vítimas.
O documento cita ainda como possíveis explicações para as taxas as dinâmicas de momento e local que os crimes costumam acontecer - destacando que furtos prosperam em locais movimentados, ao contrário do roubo - e a possível queda no valor de revenda dos celulares.
Prevenção
Por fim, o FBSP destaca que a literatura internacional aponta que as estratégias mais eficazes para reduzir roubo e furto de celulares podem ser agrupadas em quatro grandes frentes de atuação.
A primeira frente se trata do próprio desenho dos aparelhos e seus mecanismos de inutilização remota. Outra é a busca pela redução da demanda por celulares roubados, dificultando sua revenda.
Outra estratégia sugerida se refere a intervenções sobre o ambiente urbano, que alterem a rotina das pessoas e a ocupação dos espaços públicos.
A quarta alternativa é o registro de aparelhos e bloqueio remoto pelos próprios usuários.
"As tendências de roubos e furtos de aparelhos celulares revelam um tipo de crime que tem impactos muito maiores do que apenas o prejuízo material ou financeiro diretamente envolvido. Esse é, sem dúvida, um dos principais gatilhos do medo e da insegurança no Brasil, com fortes consequências na percepção da população e, em 2026, no debate eleitoral", conclui o documento.
Roubos e furtos de veículos
O Anuário também informa os registros de roubo e furto de veículo por estado. Pernambuco teve redução dos registros. O ano de 2025 teve 18.704 ocorrências, enquanto 19.018 veículos foram furtados ou roubados em 2024. A diminuição é de 6,5%.
Comércio e residência
Roubos a estabelecimentos comerciais, residências e transeuntes diminuíram em Pernambuco de 2024 para 2025. As variações foram, respectivamente, de 12,6%, 20,7% e 14,4%.
Receptação
Ainda segundo o anuário, caíram os registros de receptação no estado. Foram 5.374 casos em 2024 e 4.498 em 2025, uma redução de 16,5%. O número vai na contramão do país, que teve um aumento médio de 3,3%.