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TUBARÃO

Jovem atacada por tubarão no Recife diz não ter medo do mar: "Foi o local do meu milagre"

Estudante de Direito afirma que não sente medo nem raiva do animal; diz que pretende voltar à praia quando puder e encara recuperação com foco nos estudos e no sonho de se tornar juíza

Adelmo Lucena

Publicado: 22/07/2026 às 16:47

Marcela cursa Direito e diz que família e estudos são motivação para continuar firme na recuperação /Foto: Acervo pessoal

Marcela cursa Direito e diz que família e estudos são motivação para continuar firme na recuperação (Foto: Acervo pessoal)

Quase dois meses depois de sobreviver a um ataque de tubarão que resultou na amputação de uma das pernas, a estudante de Direito Marcela Vitória, de 19 anos, fala sobre o mar sem ressentimento. “Para mim, foi o local do meu milagre”, disse a jovem em entrevista ao Diario de Pernambuco.

“Era um lugar que eu amava e continuo amando. No dia em que eu puder voltar, vou voltar com a lembrança de que ali eu vivi um milagre. Ali eu fui salva, não só pelo médico, mas por Deus mesmo. Eu fico emocionada porque foi algo que veio de Deus”, afirmou.

Marcela foi atacada no dia 1º de junho, na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. O incidente ocorreu apenas um dia após outro ataque registrado na Região Metropolitana, quando um menino de 11 anos foi mordido por um tubarão em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, também perdendo uma perna.

Apesar da sequência de casos, a estudante diz que desconhecia o ataque ao adolescente antes de entrar no mar. “Eu não tinha visto o caso anterior e também não passou pela minha cabeça que isso poderia acontecer. Quando a gente entra no mar, em qualquer mar, está assumindo um risco. Qualquer praia tem tubarão. No local onde eu estava, eu me senti segura porque não tinha placas avisando que aquele era um local de risco”, contou.

Marcela também destaca que não guarda medo do mar nem culpa o animal pelo ataque. “Eu entendo que é a lei da natureza. Aquele é o habitat dele. Claro que eu perdi um membro, mas não sinto medo nem raiva por isso”, afirmou.

Ela acredita, inclusive, que o tubarão tenha confundido sua perna com uma presa natural. “Eu pensei que ele era uma tartaruga, e ele pensou que eu fosse uma tartaruga também. O tubarão-tigre tem esse comportamento de morder e chacoalhar a presa. Então, quando ele mordeu a minha perna, ficou me chacoalhando.”

Segundo pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o animal envolvido no ataque foi um tubarão-tigre de aproximadamente três metros.

Marcela relembra que o ataque aconteceu em uma área rasa, quando ela já deixava o mar. “Eu estava voltando para sair porque seria o meu último mergulho. Quando voltei, fui atacada no raso. Não foi no fundo do mar. A água estava mais ou menos na altura da minha cintura, ou até menos”, relatou.

Recuperação

Após passar 40 dias internada, sendo cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Marcela agora concentra seus esforços na recuperação física. Ela faz fisioterapia duas vezes por semana e aguarda a chegada da prótese, que foi adquirida graças a uma campanha de arrecadação e ao apoio de um doador.

“O fisioterapeuta sempre fala que eu estou indo muito bem, que está tudo dando certo. Com o meu esforço, vai ser muito rápido eu me adaptar. O meu maior inimigo seria eu mesma. Mas, como estou me esforçando e me dedicando, consigo manter um foco e me dedicar ainda mais”, afirmou.

Hoje, a maior dificuldade enfrentada por ela está relacionada ao deslocamento até a clínica. “Minha maior limitação tem sido a locomoção. Eu sou habilitada, mas não tenho carro. Não consigo ir sozinha para a fisioterapia. A prefeitura ficou responsável por esse transporte, mas, até o momento, ainda não deu esse suporte”, disse. Enquanto aguarda a prótese, Marcela utiliza uma muleta para se locomover.

A estudante afirma que, logo após o ataque, sua principal preocupação era a possibilidade de interromper seus planos de vida. “Eu não estava preocupada com a prótese porque ainda não tinha muita noção de como seria. Minha preocupação era só voltar para a faculdade e voltar para o trabalho.”

Ela atribui a força para enfrentar o processo ao apoio recebido desde o acidente. “O apoio das pessoas e a força que eu recebi delas, as mensagens muito positivas. Isso me motivou muito. Outras coisas também me motivaram, como estudar mais. Quando cheguei em casa tive o abraço da minha mãe, que é algo inexplicável.”

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Prefeitura de São Lourenço da Mata para saber sobre a oferta de transporte para Marcela e aguarda retorno.

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