Devotos compartilham histórias de fé e graças alcançadas na procissão de Nossa Senhora do Carmo
A celebração reuniu milhares de devotos pelas ruas do Centro do Recife, encerrando a programação religiosa em homenagem à padroeira da capital pernambucana
Publicado: 16/07/2026 às 20:45
Procissão seguiu pelas ruas do bairro de Santo Antônio (Fotos: Karol Rodrigues)
A fé e a devoção levaram uma multidão de fiéis vestidos de amarelo para a procissão de Nossa Senhora do Carmo, realizada nesta quinta-feira (16), no Centro do Recife.
Histórias de graças alcançadas e milagres emocionaram quem participou do encerramento da 330ª Festa de Nossa Senhora do Carmo, que neste ano teve como tema “Mãe da Esperança, peregrina com teu povo”. A programação contou com dez dias de celebrações religiosas, missas e novenas antes da tradicional procissão.
A instrutora de trânsito Armele Melo, de 56 anos, participou do cortejo ao lado da mãe, Eliane Melo, de 79 anos. Mesmo com dificuldades de mobilidade da idosa, ela faz questão de manter a tradição.
“Ela é devota de Nossa Senhora do Carmo. Mesmo ela tendo dificuldade para andar, eu a trago, com muito amor e gratidão.”
Segundo Armele, a devoção acompanha a família há gerações e, para ela, a filha é um milagre da Santa. “Na minha primeira gestação eu sofri um aborto espontâneo. A minha segunda filha foi concebida justamente no dia 16 de julho. Depois eu comecei a entender. A gestação foi maravilhosa. Hoje ela tem 22 anos. Eu acredito que foi um milagre.”
A aposentada Amara Lopes Vieira, de 84 anos, saiu de Olinda para participar da celebração. A ligação com Nossa Senhora do Carmo começou ainda na infância, quando morava na Rua de Santa Teresa, no bairro de Santo Antônio, e frequentava o catecismo, a Cruzada Eucarística e o coral da igreja.
Ela atribui à intercessão da padroeira a recuperação após contrair Covid-19, no início da pandemia. “Eu pedi a intercessão dela e me curei da Covid. Tenho sequelas, mas agradeço. O milagre maior foi a minha cura. Tenho 84 anos, sou lúcida e todos os anos eu venho.”
Além da própria recuperação, Amara também diz ter alcançado graças relacionadas à família, entre elas o desfecho do processo de divórcio do filho, pelo qual rezou durante as novenas da festa.
Já Elza Santana, de 80 anos, também moradora de Olinda, lembra que frequenta a procissão desde criança. Segundo ela, uma das maiores graças recebidas aconteceu quando buscava uma oportunidade de trabalho, contra a vontade do marido.
Ela conta que, após prestar concurso público para o Estado, rezou pedindo aprovação e recebeu a convocação justamente no dia da Santa. “Na hora em que eu estava saindo de casa, fechando a porta, chegou o telegrama para eu comparecer no outro dia ao trabalho. Peguei o telegrama, botei na bolsa e fui para a procissão de Nossa Senhora do Carmo.”
A Festa de Nossa Senhora do Carmo reúne, anualmente, milhares de devotos do Recife, da Região Metropolitana e de outras cidades do estado. A celebração é realizada desde o século XVII e tem como ponto alto a procissão do dia 16 de julho, data dedicada à padroeira da capital pernambucana.