Após denúncia, MPPE cobra cumprimento da Lei do Acompanhante em unidades de saúde de Olinda
A reclamação, apontava que mulheres estavam sendo atendidas no SPA de Peixinhos sem a possibilidade de permanecer com um acompanhante de sua escolha; a recomendação foi publicada no Diário Oficial do MPPE na segunda-feira (13)
Publicado: 15/07/2026 às 12:57
Após denúncia, MPPE cobra cumprimento da Lei do Acompanhante em unidades de saúde de Olinda (Foto: Google Street Views)
Após receber uma denúncia de que mulheres estavam sendo impedidas de entrar com acompanhantes no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) de Peixinhos, em Olinda, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou que a Prefeitura de Olinda, a Secretaria Municipal de Saúde e a direção da unidade cumpram integralmente a Lei do Acompanhante. A recomendação foi publicada no Diário Oficial do MPPE na segunda-feira (13).
A Lei Federal nº 11.108, de 7 de abril de 2005, garante às gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na rede própria ou conveniada, o direito à presença de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto. Já a Lei Federal nº 14.737/2023 ampliou esse direito, assegurando às mulheres o acompanhamento por uma pessoa maior de idade de sua livre escolha durante consultas, exames, procedimentos de saúde e internações. O acompanhante pode ser o pai do bebê, o parceiro, a mãe, um amigo, uma amiga ou qualquer outra pessoa indicada pela paciente.
A reclamação, encaminhada à Ouvidoria do MPPE, apontava que mulheres estavam sendo atendidas sem a possibilidade de permanecer com um acompanhante de sua escolha. Também foram relatadas placas na unidade com avisos restringindo a entrada, o que, segundo o órgão, contraria a legislação federal.
A recomendação, expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, é direcionada à prefeita do município, à Secretaria Municipal de Saúde e à direção da Policlínica de Peixinhos/SPA.
O documento determina que o direito das pacientes seja respeitado durante consultas, exames, procedimentos e internações, conforme prevê a legislação.
Além de retirar os avisos com proibições genéricas, o MPPE orienta que sejam instalados novos cartazes em locais visíveis, informando às usuárias que elas têm direito a um acompanhante maior de idade de livre escolha.
O Ministério Público também recomendou que a Secretaria Municipal de Saúde promova a orientação e a capacitação dos profissionais da rede, especialmente dos que atuam no SPA de Peixinhos, para evitar novos impedimentos ao exercício desse direito.
O que diz a Prefeitura
Em nota, a Secretaria de Saúde de Olinda informou que todas as unidades da rede municipal cumprem integralmente as disposições da Lei Federal nº 14.737/2023, que assegura às mulheres o direito de serem acompanhadas por uma pessoa maior de idade de sua livre escolha durante consultas, exames, procedimentos de saúde e internações, observadas as hipóteses previstas na legislação.
A pasta afirmou ainda que reafirma seu compromisso com a legalidade, a humanização do atendimento e a garantia dos direitos dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).