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Desabamento

Escola onde teto desabou recebeu mais de R$ 2,5 milhões em obras, diz Sintepe

Sindicato afirma que unidade passou por reformas na cobertura, mas cobra auditoria após desabamento que deixou seis alunos e um professor feridos. Pais também denunciam problemas estruturais e na alimentação escolar

Cadu Silva

Publicado: 08/07/2026 às 15:58

Protestos na escola Presidente Arthur da Costa e Silva, no bairro da Mustardinha/Foto: Rafael Vieira/DP

Protestos na escola Presidente Arthur da Costa e Silva, no bairro da Mustardinha (Foto: Rafael Vieira/DP)

A Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, localizada no bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife, onde parte do teto desabou na tarde da última terça-feira (7), deixando seis alunos e um professor feridos, recebeu R$ 2.527.692,54 em investimentos, distribuídos em dois contratos; um de R$ 1.109.486,78 e outro de R$ 1.418.205,76, de acordo com informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Pernambuco (Sintepe).

Segundo publicação do sindicato nas redes sociais, a unidade passou por reformas que incluíam intervenções na cobertura e em estruturas metálicas. Para a entidade, "é absolutamente inaceitável que a unidade sofra uma falha estrutural dessa magnitude, atingindo alunos e um professor durante o horário escolar".

Ainda de acordo com o Sintepe, o desabamento evidencia uma grave desconexão entre os valores investidos na reforma e a realidade encontrada na escola. A entidade lembrou que, em maio, lançou a campanha "Cadê a Reforma da Minha Escola", na qual denuncia supostas irregularidades em obras realizadas em escolas estaduais que, segundo o sindicato, somam cerca de R$ 183 milhões em recursos públicos.

Na publicação, o sindicato cobra respostas imediatas e uma auditoria rigorosa dos serviços executados. "Não se trata apenas de cobrar o destino e a eficiência dos R$ 2,5 milhões investidos na unidade, mas de repudiar a negligência que colocou em risco a vida de alunos, professores e funcionários."

As obras teriam sido executadas pela Cetus Construtora. A empresa também é alvo de decisão do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), que determinou a suspensão de pagamentos referentes a um contrato firmado com a Secretaria Estadual de Educação após identificar supostas irregularidades na contratação.

Apesar do volume de recursos investidos, pais, estudantes e o Sintepe afirmam que parte das intervenções permanece inacabada. Eles relatam a existência de infiltrações, problemas na cobertura, banheiros deteriorados e equipamentos de climatização que ainda não foram instalados.

O representante setorial do Sintepe, Eldemy Santos, afirmou que, segundo relatos de professores, alguns problemas teriam se agravado após a reforma. "Os professores dizem que, antes da reforma, quando chovia não havia tantos pontos de alagamento. Hoje isso acontece, trazendo mais riscos para estudantes e trabalhadores. O que a comunidade espera é que a obra seja concluída e que a escola ofereça condições adequadas de funcionamento."

 

Outros problemas

Além das condições da estrutura física, pais e estudantes denunciaram, durante mobilização realizada nesta quarta-feira (8), em frente à escola, problemas relacionados à alimentação escolar. Segundo os relatos, nesta semana foram encontradas larvas em refeições servidas aos alunos.

"Quando perceberam, muita gente já tinha comido. Disseram primeiro que era do feijão, depois do arroz e, por fim, falaram que era só um bichinho. Duas meninas passaram mal", contou uma estudante.

Os responsáveis também reclamaram das condições dos banheiros e da falta de manutenção da unidade. Segundo eles, por um longo período, sanitários permaneceram sem portas e sem trancas.

Também foram relatados problemas como salas com mofo, infiltrações, paredes deterioradas, ventiladores antigos e acúmulo de lixo e água parada no entorno da escola.

Durante a mobilização, pais ainda denunciaram episódios de violência entre estudantes e relataram supostos casos de assédio envolvendo alunos e um professor da unidade. Segundo eles, essas situações foram comunicadas à gestão escolar, mas não tiveram o encaminhamento esperado pelas famílias. As denúncias deverão ser apuradas pelos órgãos competentes.

Resposta da Secretaria de Educação

Por meio de nota, a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) informou que, em relação ao suposto caso de assédio, a Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Sul iniciou o levantamento das informações para posterior encaminhamento à Secretaria, responsável pela condução da investigação formal.

A pasta afirmou ainda que adotará todas as providências cabíveis, com o rigor e a seriedade que o caso exige, assim que a denúncia for formalizada. A Secretaria também reiterou que repudia qualquer forma de violência e reforçou o compromisso com a promoção de um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade escolar.

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