Teto da Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, no Recife, desaba e fere seis alunos e um professor
Pais e estudantes se mobilizaram na manhã desta quarta-feira (8) para denunciar a precariedade da estrutura da unidade de ensino, localizada no bairro da Mustardinha
Publicado: 08/07/2026 às 13:02
Protestos na escola Presidente Arthur da Costa e Silva, no bairro da Mustardinha (Foto: Rafael Vieira/DP)
Parte do teto da Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, localizada no bairro da Mustardinha, na Zona Oeste do Recife, desabou na tarde da última terça-feira (7), deixando seis alunos e um professor feridos.
O acidente ocorreu em uma área externa da escola, onde uma turma assistia a uma aula de Geografia por causa do calor nas salas de aula. Uma estudante sofreu um corte na cabeça e precisou levar pontos. Outros alunos tiveram ferimentos nos braços, pernas e joelhos.
As estudantes que presenciaram o desabamento relataram momentos de pânico. Segundo elas, a turma estava em uma área externa porque as altas temperaturas dificultavam a permanência dos alunos dentro das salas. Uma aluna de 13 anos contou que havia saído por alguns instantes para encher a garrafa de água quando ouviu colegas gritarem que o teto estava caindo.
"Quando minha amiga olhou para trás, gritou: 'Está caindo'. Na hora que eu virei, caiu tudo de uma vez. Desabou telha, tijolo, pedra, tudo o que tinha em cima. Foi muito rápido." Ela disse que correu para socorrer uma colega atingida na cabeça.
"Quando fui pegar na mão dela, ela tirou a mão da testa e estava cheia de sangue. O sangue escorria pelo rosto e pela roupa. Foi uma cena horrível. Eu nunca tinha visto uma coisa dessas dentro da escola."
Segundo a estudante, outros colegas também ficaram feridos. "Um menino cortou a perna, outro machucou o braço, outro bateu o joelho e não conseguia andar. Outra colega também se machucou na cabeça. Foi muita correria e desespero."
A aluna afirma que, diante da falta de materiais adequados, os primeiros socorros precisaram ser improvisados. "Pegaram algodão e colocaram na testa da menina porque não tinha gaze. O sangue não parava de escorrer, e o algodão acabou ficando grudado no ferimento. Eu fui para casa com a minha farda cheia de sangue."
Outra estudante, de 12 anos, lembra que, segundos antes do desabamento, foi possível ouvir um estalo na estrutura. "O professor estava explicando a aula quando a gente escutou um barulho. Em seguida, o teto começou a cair em cima dos alunos. Quem conseguiu saiu correndo. Quem estava sentado teve menos tempo para reagir."
Os estudantes afirmam que os feridos foram levados para a direção da escola. "A direção ficou cheia de sangue porque levaram os alunos para lá. Depois mandaram todo mundo ir para casa. A gente só recebeu uma nota explicando o que tinha acontecido no começo da noite."
Além do susto, as alunas afirmam que o acidente reforçou um temor antigo em relação às condições da unidade. "A gente já via telhas quebradas, infiltrações, mofo e muita coisa precisando de manutenção. Depois do que aconteceu, ficou o medo de que isso aconteça de novo."
Mobilização
Na manhã desta quarta-feira (8), pais e responsáveis realizaram uma mobilização em frente à escola. Com cartazes e pedidos de socorro, cobraram providências do Governo de Pernambuco e afirmaram que o acidente foi consequência de problemas estruturais antigos, denunciados há anos pela comunidade escolar.
Segundo eles, a preocupação com a estrutura da escola não começou após o desabamento. Pais e responsáveis afirmam que convivem há anos com infiltrações, goteiras, paredes com mofo, salas quentes, banheiros deteriorados e outros problemas de manutenção.
"A infraestrutura da escola sempre foi muito precária. Melhoraram um pouco a fachada, mas o restante continua do mesmo jeito. O esgoto fica próximo da cozinha, os alunos reclamam da alimentação e agora apareceu larva na comida. A sensação é de abandono", afirmou Marcelly Pinheiro Cardozo, de 36 anos, mãe de uma estudante do 7º ano.
Marcelly contou que recebeu a notícia pela própria filha, que chegou em casa em estado de choque. "Ela chegou muito nervosa, pálida. Disse que o teto tinha caído em cima dos colegas e que uma menina havia cortado a cabeça."
Segundo ela, o atendimento inicial também preocupou os pais."Minha filha contou que improvisaram o primeiro atendimento porque não havia material adequado. Toda escola deveria ter um kit de primeiros socorros. São situações que deixam qualquer pai ou mãe desesperados."
O que diz a Secretaria de Educação do Estado
A Secretaria de Educação do Estado (SEE) informou através de nota que, após o ocorrido, a equipe gestora da Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) Presidente Arthur da Costa e Silva prestou atendimento imediato aos envolvidos. Um professor e os estudantes foram encaminhados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Torrões, onde foram atendidos e liberados.
A nota ainda informu que a área onde aconteceu o incidente teve o isolamento e a sinalização reforçados para que as obras sejam retomadas com segurança para a comunidade escolar.