Amor que cura: como o GAC-PE transforma o tratamento do câncer infantojuvenil em rede de afeto
Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco apoia cerca de 70 crianças pacientes da OncoHematologia Pediátrica do HUOC
Publicado: 01/07/2026 às 06:00
Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE) funciona há 29 anos (Foto: ASCOM GAC-PE)
É dentro de um dos prédios do complexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), no Centro do Recife, que o tratamento oncológico de crianças, adolescentes e jovens ganha contornos de lar. Há 29 anos, o Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE) é o apoio para inúmeras famílias que enfrentam este momento delicado.
Durante essa trajetória, o acolhimento, bem-estar e humanização de crianças com câncer tem sido o principal objetivo, conta a gerente institucional do GAC, Carolina Morais.
Até 70 pacientes de 0 a 19 anos podem ser atendidos por dia, com garantia de auxílio psicológico, fisioterapêutico, nutricional, e educacional. O trabalho é tão bem-sucedido que crianças de todas as regiões de Pernambuco e até de outros estados vêm à capital para receber tratamento.
“Atuamos na promoção do bem-estar das famílias, temos a missão de ir além do tratamento. O câncer é uma doença tão devastadora, o que pudermos fazer para suprir as necessidades da família, nós tentamos. Formamos uma rede de apoio para que eles foquem exclusivamente no tratamento da criança”, inicia a gerente.
O início
Tudo começou com a médica oncologista pediatra Dra. Vera Lúcia Lins, que decidiu criar uma vertente de atendimento exclusivo para crianças com câncer que eram pacientes do HUOC. Ela observou que uma ala compartilhada entre crianças e adultos prejudicava os pequenos, que sofrem com imunossupressão.
“As crianças morriam de infecção. Isso inquietava muito a Dra. Vera. Foi quando ela se juntou com amigos voluntários e decidiram implantar a instituição. Nós conseguimos um espaço dentro do próprio Oswaldo Cruz, um prédio de sete andares e cada andar tem uma função diferente”, relembra.
Em quase 30 anos, a história do GAC foi marcada por desafios, superações e evoluções, afirma Carolina Morais. A principal motivação é uma: a vontade de fazer o bem. A equipe médica que atua no GAC faz parte do corpo profissional do HUOC, mas a organização também conta com 160 voluntários.
Não é simples viver de doações, mas nem nos momentos mais difíceis, como a recente pandemia de COVID-19 fez esse grupo desistir. O propósito, segundo Carolina, faz tudo valer a pena.
“É desafiador não saber no dia de amanhã se vamos ter recurso para abraçar as demandas que aparecem. Mas a maior recompensa não é apenas ver a cura. É ver histórias de mães que, às vezes, perdem seus filhos no processo, mas depois se tornam voluntárias aqui porque são imensamente gratas ao GAC”, acrescenta.
O sentimento de seguir em frente é de gratidão, comenta Carolina. Ela adiciona que só tem a agradecer pela evolução da organização, ano a ano.
“Temos conseguido ampliar o serviço. Antes a gente tinha capacidade de atender 40 pacientes no dia, hoje podemos atender 70 ou mais. Inauguramos um espaço de refeitório que vai nos dar capacidade para mais de 100 pacientes, dando refeição, fornecendo atividades lúdicas para essas crianças”, relata.
Futuro
Para o futuro, a expectativa é poder oferecer uma ajuda sem fronteiras – uma sede própria, para poder atender a quem mais precisa.
“Estar dentro do hospital nos limita a um público aos pacientes do hospital. Com a sede fora, a gente vai poder ampliar o nosso serviço para toda e qualquer criança com câncer no estado de Pernambuco”, anseia.
Para que esse futuro chegue, o presente tem que estar garantido. Atualmente, a principal necessidade do GAC é de doações financeiras. Além disso, a mão de obra dedicada e doações de roupas e objetos em bom estado de conservação também contribuem.
“Para receber amor, a gente tem que dar para receber. Aqui nós nos dedicamos e descobrimos uma coisa muito importante: como é bom servir. É uma das maiores lições. As crianças nem precisam agradecer, mas só de ver o rostinho deles, isso já é a recompensa para gente”, finaliza.