Com participação no Pernambucano Feminino, ONG usa o futebol para mudar vidas no Grande Recife
Criada em 2015, a ONG Pazear oferece atividades esportivas e culturais em Recife, Olinda e Paulista. No ano passado, o projeto Jogadeiras, idealizado pela ONG, participou do 1º Campeonato Pernambucano Feminino sub-17
Publicado: 07/01/2026 às 08:08
Atualmente, a ONG Pazear atende aproximadamente 350 beneficiados de 6 a 18 anos. (Foto: Reprodução / ONG Pazear)
Foi inspirada na atitude da mãe, Naide Paz, que abria o quintal de sua casa, localizada na comunidade do Centro Social Urbano (CSU), no bairro de Rio Doce, em Olinda, para que as crianças pudessem brincar em segurança, que Karina Paz, junto com um grupo de amigos, iniciou as atividades da ONG Pazear, que promove transformação social em crianças e jovens do Grande Recife por meio do futebol.
Com 10 anos de atuação, a Pazear, que atualmente é dirigida por um grupo de mulheres, surgiu dentro de um contexto de violência, marcado por conflitos constantes de criminosos que viviam na comunidade do CSU e que influenciavam muitos moradores a entrarem na vida do crime.
E foi por meio de treinos de futebol, inicialmente realizados no campo de barro da comunidade, que o esporte se tornou uma ferramenta de educação, união e transformação para as crianças e jovens da localidade.
Com o tempo, a invisibilidade que permeia o futebol feminino fez com que fosse criado o projeto Jogadeiras, que disponibiliza, de forma específica, a prática do esporte entre as meninas atendidas pela ONG, algo que proporcionou a participação da ONG no 1º Pernambucano Feminino sub-17, realizado no ano passado.
“O projeto não apenas quebrou ciclos de violência, mas também abriu portas para o desenvolvimento através do futebol, da cultura, da educação e da consciência ambiental. O que começou como o sonho de uma jovem inspirada pelo cuidado da mãe se consolidou como um movimento comunitário de impacto duradouro”, ressaltou Karina Paz, idealizadora da ONG Pazear.
Atualmente, a instituição, que também promove atividades culturais, ampliou sua atuação para os bairros de Maranguape I, em Paulista, e Coelhos e Sancho, no Recife, atendendo aproximadamente 350 beneficiados de 6 a 18 anos.
Futebol Feminino
Durante as atividades com as turmas mistas da ONG, a diretoria do projeto, que é composta apenas por mulheres, percebeu a necessidade de fazer um trabalho mais direcionado para as meninas, transformando o ambiente mais confortável para a prática esportiva, dando uma maior visibilidade ao futebol feminino.
Diante dessa necessidade, surgiu, em 2021, o projeto Jogadeiras, que visa incentivar a prática do futebol feminino, algo que é tão invisibilidade dentro desse esporte, diante da falta de incentivo e do machismo estrutural que permeia o futebol.
E foi por meio desse projeto, que atualmente atende 160 meninas divididas nos quatro polos da ONG, que a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) convidou a Pazear para o primeiro Campeonato Pernambuco Feminino sub-17, realizado no ano passado.
“A experiência foi incrível, porque vimos essas garotas que são de comunidades tendo a oportunidade de jogar contra times e clubes de Pernambuco. Sabemos que isso ficou marcado para elas. Foi uma experiência importante, porque desafios de competições desse nível profissional colaboram com o desenvolvimento delas”, enfatizou Karina Paz.
Além dos treinamentos, o projeto Jogadeiras oferece apoio psicossocial, orientação educacional e dinâmicas temáticas que visam fortalecer a construção emocional, profissional e social dessas meninas.
Parcerias
Em 2018, a Pazear conseguiu uma parceria com a ONG internacional love.fútbol, que construiu um campo society na localidade, fortalecendo e potencializando ainda mais o trabalho.
Além disso, a instituição conta com a contribuição do Hip Hop H2O Olinda, grupo que promove aulas de breaking para os beneficiados. O Coletivo Coração Negro também promove uma uma sessão de leituras para os jovens através da Gelateca Antirracista, enquanto que o grupo Ilê Capoeira promove aulas gratuitas na instituição.
Também foi por meio da mobilização social que a área de lazer do Pazear está com cerca de 98% das obras concluídas. Segundo Karina Paz, todo o processo foi construído coletivamente, com mobilização da comunidade e apoio de parceiros. O espaço terá um parquinho de diversão, duas salas para atividades e uma horta comunitária.
“A Pazear oferece um espaço seguro de convivência e fortalecimento de autoestima para essas crianças e jovens, com acesso ao esporte e à cultura. Tudo isso oferece para eles uma sensação de pertencimento, cuidado e possibilidades reais de transformação”, destacou Karina Paz.
Apesar dessas parcerias, Karina Paz ainda destaca que a maior dificuldade é conseguir recursos financeiros flexíveis que ajudem na manutenção da organização, da equipe e da continuidade das atividades, mesmo com alguns projetos aprovados por meio de leis de incentivo ao esporte.
Segundo ela, a falta de recurso faz com que atividades sejam pausadas temporariamente, algo que impacta diretamente as crianças e os jovens atendidos.
Apesar disso, o orgulho e a responsabilidade de manter esse projeto social permeia entre as pessoas que participam e ajudam a mudar a vida de crianças e jovens do Grande Recife.
“Me sinto realizada por entender de onde nós viemos e onde estamos agora. Também sinto uma grande responsabilidade de manter o nível e a qualidade dessas atividades a longo prazo, de forma sustentável. Pazear se tornou um movimento comunitário de cuidado e transformação, construído de forma coletiva e com impacto real”, finalizou Karina Paz.