Barreira com risco de deslizamento preocupa moradores em Águas Compridas, em Olinda
Após queda de encosta em abril, família relata acúmulo de lama, lona danificada e medo constante em períodos de chuva
Publicado: 22/06/2026 às 19:00
Barreira localizada na Rua 8 de Maio preocupa moradores de Olinda em dias chuvosos (Foto: Mauricio Ferry/DP Foto)
Moradores da Rua 8 de Maio, no bairro de Águas Compridas, em Olinda, seguem tensos desde o deslizamento de uma barreira ocorrido em 12 de abril deste ano. A encosta cedeu na lateral e nos fundos de uma residência onde vive uma idosa de 72 anos, deixando lama espalhada pelo quintal e pelo beco da casa.
Parte do material chegou a ser retirada por vizinhos em um mutirão improvisado, mas resíduos ainda permanecem no local. A estrutura de proteção instalada após o deslizamento, uma lona colocada na encosta, também apresenta desgaste, mas a área segue instável.
A preocupação dos moradores aumentou após episódios recentes de chuvas fortes na Região Metropolitana do Recife, que no dia 1º de maio deste ano voltaram a causar mortes em áreas de morro.
A diarista Josiane Maria da Silva, de 53 anos, filha da moradora de 72 anos, afirma que a situação segue sem solução definitiva e que a encosta já apresentou outros episódios de instabilidade ao longo dos anos. “Minha mãe mora aqui há mais de 50 anos. Depois do deslizamento de 12 de abril, entrou muita lama no quintal e no beco. A gente conseguiu tirar parte, mas ainda ficou sujeira. Até hoje isso não foi totalmente resolvido”, disse.
“A lona rasgou em alguns pontos e parte da barreira ficou exposta. Quando chove forte, a água passa por cima da proteção. Isso deixa a gente em alerta o tempo todo”, complementa.
Segundo Josiane, a família evita permanecer na casa durante chuvas mais intensas. “Quando a chuva aperta, minha mãe sai de casa e vai para a casa de uma amiga. Mesmo assim ninguém consegue dormir tranquilo, porque o medo de a barreira ceder de novo é constante.”
Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que uma equipe da Defesa Civil deve ir ao local até o fim desta semana para realizar vistoria e substituir a lona de contenção.
Fortes chuvas deixaram mortos
Seis mortes foram registradas na Região Metropolitana do Recife em decorrência das chuvas no dia 1º de maio deste ano, segundo balanço do Corpo de Bombeiros e das Defesas Civis estadual e municipais. Os casos ocorreram em deslizamentos de barreiras e ocorrências de arrastamento por correnteza em áreas vulneráveis.
A última morte a ser confirmada ocorreu em São Lourenço da Mata, no Córrego do Azedinho. Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para a retirada do corpo de um homem de 34 anos, que teria sido levado pela força da água durante a chuva.
As outras cinco vítimas morreram em deslizamentos de barreiras em diferentes pontos da região. Em Olinda, uma jovem de 20 anos e o filho dela, um bebê de seis meses, foram soterrados após a queda de uma encosta no bairro de Passarinho.
Outro caso ocorreu em Recife, no bairro de Dois Unidos, na Zona Norte. Uma barreira cedeu sobre uma residência, matando uma mulher e o filho de seis anos no local. Uma criança de um ano e seis meses também chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.