Notificações de violência contra idosos crescem mais de 500% em Pernambuco em dez anos
Estado registrou 2.152 notificações de violência interpessoal contra pessoas idosas em 2024, quase seis vezes mais que em 2014. Taxa pernambucana está acima da média nacional
Publicado: 17/06/2026 às 16:27
Notificações de agressões contra idosos em Pernambuco tiveram aumento, diz Atlas da Violência (Foto: Freepik)
As notificações de agressões contra idosos em Pernambuco aumentaram em 513,1% entre os anos de 2014 e 2024, segundo dados do Atlas da Violência. O percentual é superior ao crescimento nacional no mesmo período, que foi de 226,3%. Os dados são usados durante campanhas do Junho Violeta, que visa conscientizar e combater a violência contra a pessoa idosa.
Segundo o levantamento, Pernambuco registrou 351 notificações em 2014 e, em 2024, esse número chegou a 2.152 casos. O estado ocupa a oitava posição do país em números absolutos de notificações, atrás apenas de unidades federativas mais populosas, como São Paulo (7.328), Paraná (3.418), Rio de Janeiro (3.267) e Minas Gerais (2.674).
Quando analisada a taxa por 100 mil habitantes, indicador que permite comparações mais precisas entre estados com populações diferentes, Pernambuco registrou 151,4 notificações para cada 100 mil habitantes em 2024. O índice é 71% superior à média brasileira, que ficou em 88,4 casos por 100 mil habitantes.
Em 2024, Pernambuco apresentou a quinta maior taxa de notificações de violência interpessoal contra idosos entre as unidades da federação. Ficou atrás apenas de Mato Grosso do Sul (310,5), Tocantins (202,5), Paraná (172,1) e Espírito Santo (159,9).
Em 2014, a taxa estadual era de 33 notificações por 100 mil habitantes. Dez anos depois, chegou a 151,4, um crescimento de 358,8%. O aumento foi quase três vezes superior ao observado no Brasil, onde a taxa passou de 38,6 para 88,4 notificações por 100 mil habitantes no mesmo período, alta de 129%.
Mesmo em comparação com os últimos cinco anos, Pernambuco manteve tendência de crescimento. Entre 2019 e 2024, a taxa aumentou 37,6%, enquanto o número absoluto de notificações cresceu 47,7%.
Entre 2023 e 2024, o estado registrou nova alta, ainda que mais moderada, com os casos passando de 1.993 para 2.152, representando um aumento de 8%. A taxa por 100 mil habitantes subiu 4,2% no período.
Cenário nacional
Os dados do Atlas mostram que a violência não letal contra idosos vem crescendo em todo o país. O número de notificações passou de 9.223 em 2014 para 30.097 em 2024, crescimento de 226,3%.
A taxa nacional também mais que dobrou no período, saindo de 38,6 para 88,4 notificações por 100 mil habitantes.
Em contrapartida, o levantamento aponta uma redução dos homicídios de idosos. Entre 2014 e 2024, o número de assassinatos de pessoas com mais de 60 anos caiu 13,3% no Brasil, enquanto a taxa de homicídios diminuiu 39,2%, reflexo também do crescimento acelerado da população idosa.
Em 2024, o país registrou 2.007 homicídios de idosos, com taxa de 5,9 mortes por 100 mil habitantes nessa faixa etária.
A campanha do Junho Violeta foi criada para conscientizar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência praticados contra idosos, como agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, negligência, abandono e violência institucional.
A mobilização é realizada em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O Atlas da Violência destaca que o enfrentamento da violência contra idosos exige ações articuladas entre saúde, assistência social, segurança pública e justiça.
Entre as medidas consideradas mais eficazes estão o fortalecimento da rede de proteção prevista no Estatuto da Pessoa Idosa, a ampliação dos canais de denúncia, programas de envelhecimento ativo e iniciativas de acompanhamento familiar e comunitário.