Banhistas e surfistas formam maioria das vítimas de tubarões em Pernambuco
Levantamento de 84 ocorrências registradas desde 1992 aponta características que se repetem entre as vítimas e ajuda a entender os casos recentes no Grande Recife
Publicado: 03/06/2026 às 18:46
Cemit aguarda estudo para avaliar a mudança das placas de restrição a banho em área onde menino foi atacado por tubarão, em Piedade (Foto: Cadu Silva)
Os incidentes com tubarões registrados em Pernambuco ao longo das últimas três décadas apresentam um perfil comum entre a maioria das vítimas e mostram que os banhistas aparecem à frente de qualquer outra categoria, com 41 registros. O número supera os 38 casos envolvendo surfistas e os cinco registrados com mergulhadores. Os dados são do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit)
O dado ajuda a compreender a dinâmica dos episódios mais recentes. Tanto o menino de 11 anos mordido em Piedade, no domingo (31), quanto a jovem ferida em Boa Viagem, na segunda-feira (1º), estavam realizando atividades recreativas no mar, situação presente em grande parte dos registros.
Os dados mostram que, dos 84 casos registrados no estado desde 1992, quanto teve início, oficialmente, a contagem por parte dos agentes públicos, 38 envolveram pessoas com idade entre 11 e 20 anos. Outros 24 registros tiveram como vítimas pessoas entre 21 e 30 anos.
Os dois episódios mais recentes se enquadram nesse perfil. Os números indicam que os incidentes registrados no litoral pernambucano atingem, principalmente, pessoas em fases iniciais da vida adulta.
Na Região Metropolitana do Recife, onde ocorreu a maior parte dos casos catalogados pelo Cemit, foram registrados seis incidentes com crianças de até 14 anos e outros 14 com adolescentes de 15 a 17 anos.
As informações reunidas pelo Cemit também mostram que os incidentes não afetam predominantemente turistas. Das 84 vítimas contabilizadas em Pernambuco, 60 eram residentes e 18 visitantes. Na Região Metropolitana do Recife, a diferença é ainda maior, com 59 moradores e apenas cinco turistas.
O resultado sugere que a exposição ao risco está associada sobretudo ao uso cotidiano das praias por moradores da região. São pessoas que frequentam regularmente o litoral e que, muitas vezes, convivem com áreas já identificadas como de maior ocorrência de incidentes.
Boa Viagem e Piedade permanecem como os trechos mais críticos da costa pernambucana. Juntas, as duas praias somam 49 registros desde o início da série histórica, sendo 25 em Boa Viagem e 24 em Piedade. A praia Del Chifre, onde um menino de 13 anos foi mordido e morreu em janeiro, aparece em seguida, com seis registros.
Os dados também apontam uma concentração geográfica dos incidentes. Recife e Jaboatão dos Guararapes acumulam, cada um, 28 ocorrências. Em seguida aparecem Olinda e Cabo de Santo Agostinho, com seis casos cada.
Outro traço das estatísticas é a predominância masculina entre as vítimas. Em Pernambuco, 70 dos 84 incidentes envolveram homens. As mulheres aparecem em apenas dez registros. O caso de Marcela, portanto, integra um grupo minoritário dentro da série histórica.
Desde 1992, Pernambuco contabilizou 27 mortes decorrentes de incidentes com tubarões. Outras 57 vítimas sobreviveram.