° / °
Vida Urbana
videomonitoramento

Quadrilha usava câmeras clandestinas para monitorar moradores e vigiar polícia

Grupo atuava em comunidades do Recife. Detalhes foram repassados na manhã desta quinta (28), pela Policia Civil de Pernambuco

Cadu Silva

Publicado: 28/05/2026 às 13:44

Quadrilha usava câmeras clandestinas para monitorar moradores e vigiar a polícia em comunidades do Recife
/Foto:PCPE/Ascom

Quadrilha usava câmeras clandestinas para monitorar moradores e vigiar a polícia em comunidades do Recife (Foto:PCPE/Ascom)

Criminosos utilizavam câmeras de videomonitoramento clandestinas para manter o controle de moradores, acompanhar a movimentação da polícia e monitorar rivais em comunidades da Zona Oeste do Recife, segundo a Polícia Civil de Pernambuco.

O grupo foi alvo da Operação “Sinapse”, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), quando policiais retiraram equipamentos de internet e câmeras instaladas ilegalmente em postes e vias públicas. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar.

Os detalhes da Operação foram repassados pelo delegado Vitor Freitas, gestor do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).

Segundo ele, as investigações começaram no início de 2025 e identificaram que o principal negócio da organização criminosa era o tráfico de drogas, principalmente cocaína e drogas sintéticas de alto valor comercial.

Câmeras monitoravam moradores e forças de segurança

Segundo a Polícia Civil, as câmeras eram instaladas em pontos estratégicos das comunidades para garantir o domínio territorial da organização criminosa.

“Essas câmeras tinham basicamente três objetivos: monitorar a movimentação da comunidade, proteger o grupo de ataques rivais e monitorar as próprias forças de segurança pública”, afirmou o delegado.

Ainda de acordo com Vitor Freitas, o grupo utilizava os equipamentos para controlar a circulação de moradores e acompanhar a chegada da polícia nas localidades.

“O domínio do território acontecia através dessas câmeras. A população perdia o direito de ir e vir porque estava sendo monitorada o tempo inteiro”, disse.

Após o cumprimento dos mandados de prisão e busca, a polícia iniciou uma segunda fase da operação, também deflagrada na manhã desta quarta (27), para retirada dos equipamentos clandestinos.

Segundo a corporação, a ação representa uma retomada do território anteriormente ocupado pelo crime organizado.

“Ontem foi um freio de arrumação para cessar a atividade criminosa e fazer a retomada do território ocupado pelo crime naquela região”, declarou.

Grupo expulsava provedores legais de internet

As investigações apontam que o grupo atuava nos bairros de Areias, Barro e regiões próximas, onde passou a controlar ilegalmente serviços de internet.

Segundo o delegado, provedores legais eram expulsos das comunidades e tinham equipamentos vandalizados, para que apenas a estrutura controlada pela organização permanecesse funcionando.

“Esse grupo chegou nessa região fazendo com que provedores legais fossem retirados da comunidade. Eles vandalizavam os equipamentos e retiravam dos postes e caixas de energia para monopolizar o serviço”, afirmou.

Ainda segundo a Polícia Civil, técnicos das empresas eram ameaçados por homens armados quando tentavam reinstalar os equipamentos.

“Quando essas empresas iam fazer manutenção, existiam pessoas armadas impedindo que os equipamentos fossem reinstalados”, acrescentou.

Investigação

Segundo a Polícia Civil, o grupo começou a ser investigado no início de 2025 por envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e ameaça.

“Esse grupo começou a ser investigado no início de 2025. Eles cometem diversos crimes, mas o grande negócio desse grupo é o tráfico de drogas. Existe muito dinheiro que passa por esse grupo, cifras de milhões em pouco tempo”, afirmou Vitor Freitas.

O alvo principal da investigação também possui ligação com apurações relacionadas a homicídio.

Ainda de acordo com o delegado, existe uma investigação financeira paralela para rastrear a movimentação do dinheiro obtido através do tráfico de drogas.

“Essa deflagração não foi o fim da operação. A investigação financeira continua e a gente pretende deflagrar outras fases”, declarou.

Prisões e apreensões

Dos seis mandados de prisão expedidos pela Justiça, um dos investigados já estava detido no presídio de Igarassu. Os outros cinco alvos foram presos durante a operação, sendo três no Recife e dois em Lagoa do Carro, na Mata Norte de Pernambuco, sendo o líder da organização criminosa e a companheira que atuava como operadora financeira.

Além das prisões, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão domiciliar em imóveis ligados aos investigados.

Durante as buscas, os policiais apreenderam celulares, computadores, anotações, cadernos, DVRs e uma arma de fogo em flagrante.

“A apreensão desse material vai possibilitar robustecer ainda mais a investigação financeira”, disse o delegado.

A Polícia Civil informou ainda que vai analisar se os DVRs apreendidos pertenciam às câmeras retiradas das ruas.

Lavagem de dinheiro e operador jurídico

As investigações também apontam que o grupo utilizava empresas de fachada para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas.

“A lavagem de dinheiro acontecia por meio de empresas utilizadas para tornar lícito um dinheiro que tinha origem ilícita”, explicou Vitor Freitas.

Um escritório de advocacia também foi alvo de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, um dos investigados atuava como “operador jurídico” da organização criminosa.

“O grupo tem funções definidas. Tem operador financeiro, operador jurídico e pessoas responsáveis pelo tráfico”, declarou.

As buscas no escritório ocorreram com acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Apoio e próximos passos

A operação contou com o apoio operacional da Polícia Militar, além de empresas privadas dos setores de energia e internet.

O delegado afirmou ainda que moradores apoiaram a ação policial durante a retirada dos equipamentos clandestinos.

“A população apoiou a ação. Muitas pessoas elogiaram porque sabiam que estavam sendo monitoradas pelo grupo criminoso”, disse.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e novas fases da operação devem ser realizadas para identificar e prender outros integrantes da organização criminosa.

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas