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Alunos denunciam mofo, calor e banheiros precários em escolas estaduais de Pernambuco

Problemas estruturais persistem apesar de contrato de R$ 183 milhões para reformas

Adelmo Lucena

Publicado: 22/05/2026 às 19:15

 Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara/Foto: Marina Torres/DP Foto

Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara (Foto: Marina Torres/DP Foto)

A situação da Escola de Referência em Ensino Fundamental Creusa Barreto Dornelas Câmara, no bairro da Torre, Zona Norte do Recife, se tornou um dos principais exemplos apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) em denúncias sobre possíveis irregularidades em um contrato de quase R$ 183 milhões destinado à manutenção e reforma de escolas estaduais.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (22), o sindicato lançou a campanha “Cadê a Reforma da Minha Escola?” e afirmou ter encontrado problemas estruturais graves em unidades que receberam recursos milionários por meio do contrato estadual de manutenção escolar, cujo valor total é de R$ 182.784.905,05.

A Creusa Barreto Dornelas Câmara, primeira escola de ensino fundamental integral de Pernambuco, foi apontada pelo sindicato como uma das unidades em pior situação entre as dez vistoriadas na Região Metropolitana do Recife. Segundo o Sintepe, a escola recebeu intervenções que somam R$ 1.717.583,22, valor que, de acordo com a entidade, deveria ter garantido melhorias duradouras nas condições estruturais da unidade.

Apesar disso, estudantes relataram ao Diario de Pernambuco problemas recorrentes nos banheiros, mobiliário deteriorado e desconforto térmico nas salas de aula.

“No banheiro feminino, algumas cabines não têm porta, outro dia eu fui dar descarga e a água subiu toda por estar entupida. O banheiro nem água tem para lavar as mãos. Às vezes a pessoa quer ir ao banheiro e não consegue, até por falta de papel higiênico”, afirma uma aluna do 6º ano.

Outra estudante, do 8º ano, relatou os mesmos problemas, além do calor em algumas salas de aula e o fato dos banheiros estarem pichados após uma pintura recente.

Na Escola Técnica Estadual Senador Wilson Campos, em paudalho, na Zona da Mata, estudantes também relatam problemas estruturais e denunciam impactos na rotina escolar. Segundo um aluno do 2º ano do Ensino Médio, parte da unidade estaria interditada há cerca de dois anos, incluindo a biblioteca e a área frontal da escola.

De acordo com o relato, o forte cheiro de mofo tem provocado desconforto entre os estudantes, especialmente em salas onde os alunos passam boa parte do dia. O estudante afirma que chegou a passar mal durante as aulas.

O aluno também relatou que a direção da escola teria informado à comunidade escolar sobre dificuldades orçamentárias para resolver os problemas estruturais. "De acordo com o diretor, eles estavam sem verba e não deram nenhum prazo [para obras]”, disse.

Ainda segundo o estudante, a situação preocupa principalmente após o desabamento de parte do teto em uma das áreas utilizadas pelos alunos recentemente.

Sindicato aponta precariedade em escolas vistoriadas

De acordo com o Sintepe, a denúncia foi construída após análise de centenas de boletins de medição de obras obtidos no Portal da Transparência do governo de Pernambuco. O contrato analisado envolveu reformas em 798 escolas estaduais espalhadas pelo estado.

Após a análise documental, representantes do sindicato visitaram presencialmente dez escolas da Região Metropolitana do Recife na última segunda-feira (18). Segundo a entidade, em todas as unidades foram identificados problemas que deveriam ter sido solucionados pelas reformas.

Entre as situações encontradas estão infiltrações, rachaduras, salas inadequadas para atividades pedagógicas, instalações elétricas com risco de choque, banheiros sem condições adequadas de uso, mato alto nas áreas externas, quadras deterioradas e ausência de climatização adequada em ambientes escolares.

Para o sindicato, os problemas observados indicam possíveis falhas na execução das obras e levantam questionamentos sobre a aplicação dos recursos públicos.

O Sintepe informou que encaminhou as denúncias ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, ao Ministério Público de Pernambuco e ao Tribunal de Contas da União.

Além disso, a entidade criou um hotsite com informações sobre os boletins de medição de obras referentes às 798 escolas incluídas no contrato milionário. Segundo o sindicato, o objetivo é cobrar esclarecimentos da gestão estadual sobre a aplicação dos recursos e a efetiva realização das reformas anunciadas.

O Diario de Pernambuco entrou em contato com a Secretaria Estadual de Educação (SEE-PE) e aguarda retorno.

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