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Ataques em escolas potencializam adoecimento mental de alunos e professores, diz psicóloga

Psicóloga pontua tendência de aumento de ansiedade, trauma e sensação de insegurança após casos de violência escolar

Adelmo Lucena

Publicado: 06/05/2026 às 21:26

Jovens podem se isolar e deixar de frequentar escola após episódios de agressão, mesmo que envolvam outros alunos/Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Jovens podem se isolar e deixar de frequentar escola após episódios de agressão, mesmo que envolvam outros alunos (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Ataques em escolas, como o ocorrido na terça-feira (6) em Garanhuns, no Agreste pernambucano, onde uma estudante esfaqueou outra dentro da unidade de ensino, podem acarretar no adoecimento mental da comunidade escolar. O alerta é feito pela psicóloga e psicanalista Luciana Inocêncio, que explica como episódios do tipo deixam marcas de insegurança e medo em instituições de ensino.

Em entrevista, a psicóloga afirmou que o caso mostra a necessidade de ações preventivas dentro das escolas, especialmente no combate ao bullying.

“Tanto nesse caso quanto em outros episódios recentes, fica muito claro para a gente que são necessárias campanhas e ações dentro das escolas para discutir bullying”, observa.

De acordo com a psicóloga, os impactos de episódios violentos se espalham entre estudantes e funcionários, gerando consequências psicológicas que podem durar meses ou até anos.

Ela explica que um dos quadros mais comuns após situações traumáticas dentro do ambiente escolar é o transtorno de estresse pós-traumático, acompanhado de sintomas de ansiedade.

“Dentro desse quadro, aparecem ansiedade generalizada e, muitas vezes, transtorno de pânico. Muitos estudantes passam a não querer voltar para a escola”, destaca.

“Existe uma sensação de insegurança que já paira há muitos anos dentro das salas de aula, à medida que aumentou o nível de desrespeito ao professor. Não é apenas o ataque ao colega, mas também o enfraquecimento da figura do professor, que antes representava respeito, autoridade, limite e regras”, complementa.

Professores também adoecem

A psicóloga pontua que os professores estão entre os profissionais mais afetados pelo desgaste emocional dentro das escolas. Para ela, a violência e os conflitos cotidianos aumentam o cenário de adoecimento.

“Temos um país em que os profissionais da educação estão adoecidos. E isso não sou eu quem está dizendo, são os índices, os números de profissionais afastados por burnout e outros problemas de saúde mental. Uma das categorias mais afetadas é justamente a da educação”, afirma.

Ela aponta a sobrecarga de trabalho e as dificuldades na relação entre professor e aluno como pontos que afetam a saúde mental destes profissionais. “Muitas vezes, o professor precisa mediar conflitos e nem sempre tem preparo profissional para lidar com esse tipo de situação”, explica.

Segundo a especialista, apenas a presença de psicólogos nas instituições de ensino não é suficiente para evitar tragédias. “É preciso entender qual trabalho está sendo realizado com os alunos, que tipo de combate ao bullying existe e até que ponto isso está funcionando”, diz.

Luciana explica que, na maioria das vezes, o trabalho do psicólogo escolar não é voltado para acompanhamento clínico.

“Muitas vezes, esses profissionais atuam mais na área da aprendizagem e acabam não tendo um foco clínico, porque a escola não permite esse tipo de acompanhamento aprofundado”, pontua.

A psicóloga também chama atenção para a necessidade de acolhimento coletivo após episódios traumáticos. “A comunidade escolar, no geral, precisa ser ouvida e acolhida. Também são necessários programas que ajudem a desenvolver ações preventivas para tudo isso”, conclui.

Sofrimento psíquico

Para Luciana Inocêncio, casos de violência escolar também revelam um sofrimento emocional dos próprios adolescentes envolvidos. “Para uma pessoa chegar a esse ponto, ela já vem passando por um desequilíbrio emocional muito grande. A questão é até que ponto isso foi percebido pela família ou pela escola”, afirma.

Ela destaca ainda que a repetição desses episódios pode acabar influenciando outros jovens, especialmente em uma geração já fragilizada emocionalmente. “Muitos jovens já passam a ter esses ataques como referência para tentar fazer justiça com as próprias mãos, agravando ainda mais uma estrutura escolar que já está fragilizada”, conclui.

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