Caso Miguel: Mirtes diz que manutenção da condenação de Sari representa "mais um passo"
Mãe de Miguel afirma que seguirá lutando até prisão definitiva de Sari
Publicado: 21/05/2026 às 17:50
Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, busca na Justiça a condenação de Sari Corte Real pela morte do filho (Foto: Crysli Viana/Acervo DP Foto)
Mirtes Renata Santana de Souza, mãe do menino Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu após cair de um prédio no Recife em 2020, afirmou que a sessão realizada nesta quinta-feira (21) representa "mais um passo" para prisão de Sari Corte Real. A Seção Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco manteve, por maioria de votos, a condenação de Sari a sete anos de prisão em regime inicialmente fechado pela morte da criança.
O colegiado rejeitou os embargos infringentes apresentados pela defesa da ex-primeira-dama de Tamandaré, que buscava reduzir a pena para seis anos de reclusão em regime semiaberto. O placar apertado de seis votos a cinco chamou atenção de Mirtes durante o julgamento.
Apesar da manutenção da condenação, a mãe do menino Miguel ressaltou que Sari Corte Real continua em liberdade enquanto ainda existem possibilidades de novos recursos.
“O mais importante é que a gente deu mais um passo. O embargo de divergência deles foi rejeitado e agora é seguir com a tramitação normal do processo. Agora a gente espera a publicação do acórdão. Depois que o acórdão for divulgado, existe um prazo para interposição de recursos. Vamos ver se eles vão entrar com recurso especial, embargo de declaração. Mas ela continua solta”, disse.
Após a sessão, Mirtes classificou o momento como “violento” e afirmou que a defesa de Sari continuará tentando retardar o andamento do processo para evitar a prisão definitiva.
“Foi mais uma sessão muito desgastante. É muito difícil ouvir aquelas argumentações absurdas em defesa dela, principalmente por parte do advogado. Em alguns momentos, parecia até que ele estava perdido no julgamento, porque aquilo ali era um embargo infringente, já em segunda instância, e ele trouxe questões que já haviam sido discutidas no primeiro grau, o que nem cabia naquele momento”, declarou.
Durante a entrevista ao Diario de Pernambuco, Mirtes também criticou a estratégia da defesa ao insistir na tese de redução da pena durante o julgamento.
“Ele [o advogado] parecia esquecer que se tratava de um julgamento de embargo infringente. Ficava insistindo em pedido de redução de pena, quando o recurso apresentado questionava justamente a divergência dos votos dos desembargadores. Isso ficou muito claro no julgamento, na mídia da sessão, em tudo. Mesmo assim, eles continuam insistindo nesse ponto, alegando que os votos não foram unânimes”, afirmou.
A mãe de Miguel também falou sobre o desgaste emocional enfrentado pela família ao longo dos últimos seis anos de tramitação judicial.
“Infelizmente, tudo isso é muito pesado para mim e para minha mãe, principalmente para ela, que é uma pessoa idosa. Passar por sessões tão longas, desgastantes e, querendo ou não, violentas para a gente, é muito difícil. Mas seguimos de pé. É cansativo, são seis anos lutando por justiça, mas vamos continuar até chegar o momento da prisão de Sari Corte Real”, completou.
A morte de Miguel aconteceu em 2 de junho de 2020 e gerou repercussão nacional. O menino, então com cinco anos, caiu do nono andar de um prédio de luxo no Centro do Recife enquanto estava sob os cuidados de Sari Corte Real.
Na época, Mirtes Renata trabalhava como empregada doméstica para a família de Sari. Segundo as investigações, ela havia saído para passear com o cachorro dos patrões quando Miguel tentou ir atrás da mãe. Imagens do circuito interno mostraram o menino entrando sozinho no elevador após interação com Sari.
Sessão manteve condenação
O julgamento desta quinta-feira analisou os embargos infringentes e de nulidade apresentados pela defesa de Sari Corte Real contra a decisão da Terceira Câmara Criminal do TJPE, que havia fixado a pena em sete anos de prisão por abandono de incapaz com resultado morte.
A sessão começou com a sustentação oral do advogado Jailson Rocha, assistente de acusação que representa Mirtes. Ele defendeu a manutenção integral da condenação.
Na sequência, o advogado Célio Avelino, responsável pela defesa de Sari, pediu a redução da pena para seis anos em regime semiaberto, seguindo entendimento divergente apresentado anteriormente pela desembargadora Daisy Andrade.
Ao final da sessão, a Seção Criminal decidiu, por maioria, rejeitar o recurso da defesa e manter a condenação.