"Lama começou a passar por cima do muro", diz moradora que teve casa atingida por deslizamento em Jaboatão
Após investir economias em muro de contenção, família se vê mais uma vez desamparada após as fortes chuvas
Publicado: 01/05/2026 às 16:07
O deslizamneto atingiu a cozinha da casa (Foto: Cortesia)
“Vai ser difícil voltar para o mesmo lugar com a insegurança de que, a qualquer momento, tudo pode desabar”, afirma a secretária Ially Dayane Bernardo, de 26 anos. Ela mora na mesma casa, no bairro de Santo Aleixo, em Jaboatão dos Guararapes, há mais de 10 anos. Na manhã desta sexta-feira (1º), ela viu a barreira ceder e invadir seu lar.
Segundo a moradora, o sinal de alerta surgiu pela manhã, quando lama começou a sair pelos canos de vazão do muro de contenção, levantado para conter qualquer deslizamento. “Eu acordei com minha irmã puxando a lama para não entrar na porta da cozinha. A gente estava puxando, confiando no muro”, relata.
O que evitou uma tragédia foi o aviso de uma amiga que estava no local e percebeu que a barreira acima estava se deslocando. “Saímos de dentro de casa, tiramos todo mundo e fomos para a frente. Coisa de meia hora depois, o muro cedeu. O barro começou a passar por cima do muro e chegou um momento que ele não resistiu, era muito barro e cedeu”, conta. A lama atingiu a área de serviço e ficou acumulada na porta da cozinha.
O muro de contenção foi construído pela família, com muito esforço financeiro, após a tragédia de 2022 quando seis pessoas morreram no bairro de Santo Aleixo pelas fortes chuvas. “Diferente dos outros anos, a gente achava que tava seguro pelo muro. Graças a Deus isso veio acontecer de dia porque se tivesse acontecido de noite, a gente não teria visto nada”, comenta.
Ially cresceu aprendendo que, em dias de chuva, o sono é um luxo. Antes de construírem o muro para conter a encosta ao lado de seu lar, seus pais precisavam fazer plantão para vigiar os fundos da casa e alertar a família, que dormia na frente, caso o pior acontecesse. “Na cabeça da gente era onde dava tempo de salvar. Mas na realidade é bem diferente. Quando a gente começa a entender, a gente vê que não dá tempo”, conta.
Atualmente, a família está abrigada na casa de vizinhos. O irmão de Ially, que mora nas proximidades, está ilhado devido às cheias de um rio próximo. “Infelizmente não faço ideia do que vamos fazer. A gente está meio que perdido”, conclui.