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ACIDENTE DE TRABALHO

Acidentes de trabalho: Pernambuco registra recorde de mortes em 2025, com 104 casos

Em dez anos, Pernambuco soma 148,5 mil acidentes e 676 mortes, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego

Adelmo Lucena

Publicado: 30/04/2026 às 21:50

Acidentes de trabalho batem recorde em Pernambuco, diz MTE/Foto: Arquivo/Agência Brasil

Acidentes de trabalho batem recorde em Pernambuco, diz MTE (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Pernambuco contabilizou 16.387 acidentes de trabalho em 2025, com 104 mortes. Este é o maior número de óbitos desde 2016 e o ano mais letal da série histórica recente, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgados em abril deste ano. A taxa de letalidade chegou a 0,63, indicando maior gravidade nas ocorrências.

Apesar de o número total de acidentes ter ficado levemente abaixo de 2024, quando foram registrados 16.511 casos, houve aumento nas mortes. No ano anterior, foram 92 óbitos, com menor taxa de letalidade (0,56). Já em 2016, início da série considerada, Pernambuco teve 15.557 acidentes e 60 mortes.

No acumulado de dez anos, entre 2016 e 2025, o estado soma 148.569 acidentes de trabalho e 676 mortes. Com esse total de óbitos, Pernambuco aparece na 9ª posição nacional, atrás de estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia.

Em 2016, foram 60 mortes em mais de 15 mil acidentes. Já em 2025, mesmo com um volume semelhante de registros, o número de óbitos praticamente dobrou. O levantamento do MTE também aponta que a taxa de letalidade é um dos principais indicadores para medir a gravidade dos acidentes, pois relaciona o número de mortes ao total de ocorrências.

Brasil

No Brasil, 2025 também foi o ano com mais acidentes e mortes da série histórica. Foram registrados 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 óbitos, recorde desde 2016. No período de dez anos, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos em decorrência dessas ocorrências.

O crescimento está ligado à retomada econômica após a pandemia, uma vez que entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8% e as mortes, 60,8%.

Apesar disso, a taxa de incidência, que mede o número de acidentes em relação ao total de trabalhadores, caiu ao longo da década, passando de 29,39 para 17,94 por 100 mil trabalhadores. Isso indica que a formalização do emprego cresceu, mas sem redução proporcional dos riscos no ambiente de trabalho.

A análise nacional mostra que os riscos variam conforme o setor e as atividades hospitalares concentram o maior número de acidentes, com destaque para técnicos de enfermagem, que lideram em registros.

Já o transporte rodoviário de carga aparece como o segmento mais letal, acumulando 2.601 mortes no período analisado. Entre as ocupações, motoristas de caminhão concentram o maior número de óbitos, com 4.249 casos em dez anos, média superior a uma morte por dia.

Outros setores com alta gravidade incluem a construção civil e atividades ligadas ao transporte de produtos perigosos, que apresentam taxas elevadas de letalidade.

Os dados também mostram diferenças regionais e estados com menor volume de acidentes, especialmente no Norte e Nordeste, apresentam taxas mais altas de letalidade, o que indica maior risco de morte quando o acidente ocorre.

No ranking nacional, Pernambuco tem taxa de letalidade de 4,53 mortes a cada mil acidentes no período de 2016 a 2025.

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