Afastados por envolvimento na morte de jovem que furou blitz, PMs passam por 1ª audiência nesta segunda
Afastados, os policiais envolvidos no caso da morte de Lucas Brendo, de 29 anos, passam pela primeira audiência nesta segunda (20). Também serão ouvidos testemunhas e sobreviventes que estavam em carro que furou blitz em julho de 2025, em Jaboatão dos Guararapes
Publicado: 20/04/2026 às 10:58
Lucas Brendo, de 29 anos, jovem que morreu após carro em que estava furar blitz (Reprodução/ Redes Sociais )
Os policiais militares réus pela morte de Lucas Brendo, de 29 anos, passam pela primeira audiência de instrução e julgamento nesta segunda (20), no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Afastados desde dezembro das funções operacionais, os três agentes do BPTran respondem por homicídio e tentativa de homicídio, após atirarem contra um carro que furou uma blitz em julho do ano passado.
Os agentes do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) Ewerton Luiz Dionisio Da Costa, de 42 anos, Helama Pimentel Santos, de 38, e Mauricio Lopes De Menezes Neto, 45, foram totalmente afastados dos serviços operacionais no dia 19 de dezembro de 2025, após solicitação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Eles estavam atuando apenas administrativamente desde o dia 11 de julho do ano passado, segundo consta no processo, ao qual o Diario de Pernambuco teve acesso.
Os reús respondem pelo homicídio de Lucas Brendo, de 29 anos, e por tentativa de homicídio contra Lucas Ricardo da Silva, 26, Tiago Felipe da Silva, 25, e Samuel Norberto Bezerra da Silva, 23, que também estavam no veículo que desobedeceu ordem de parada na noite de 11 de julho, na Estrada da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes, e foi alvejado pelos agentes.
“Os meninos são trabalhadores, tinham carteira assinada. Inclusive, o Lucas Brendo, que faleceu, tinha sido promovido na empresa, namorava com uma menina há nove anos, noivou. Dois rapazes trabalhavam na mesma empresa. Foi uma fatalidade, e quando os policiais perceberam que eram cidadãos apareceram duas armas na delegacia. A gente está nessa expectativa para se fazer justiça, para que se restabeleça a verdade”, disse o advogado da família de Lucas Brendo, Ernesto Felipe, ao Diario.
Relembre
Lucas Brendo, de 29 anos, morreu após ser atingido por um tiro nas costas, na noite de 11 de julho de 2025. Ele e mais três amigos voltavam de uma partida de futebol em um carro que furou uma blitz do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran) da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE), na Estrada da Batalha, em Jaboatão dos Guararapes.
Segundo o condutor do veículo, Tiago Felipe da Silva, de 25 anos, a ordem de parada foi desobedecida pois o carro estava com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) atrasado. No banco do passageiro, estava Samuel Norberto Bezerra da Silva, de 23 anos. Nenhum dos dois foi atingido.
Lucas Brendo estava na parte traseira do veículo junto com Lucas Ricardo da Silva, de 26 anos, que também foi atingido por um dos disparos na região da coluna. Ele ainda não voltou a andar e precisa de cadeira de rodas para se locomover.
À época, os policiais afirmaram que abriram fogo contra o carro pois os passageiros do veículo teriam atirado primeiro contra os agentes. A versão é contestada pelos sobreviventes e pela família de Lucas Brendo, que afirmam que não havia armas no carro.
No dia 14 de julho, a PM informou que tinha encontrado armas no carro e que os jovens teriam efetuado disparos na equipe do batalhão. No dia seguinte, a Secretaria de Defesa Social (SDS) informou que a corregedoria-geral estava investigando o fato.
Em 19 de dezembro, Ewerton Luiz Dionisio Da Costa, Helama Pimentel Santos, e Mauricio Lopes De Menezes Neto foram afastados das operações na Polícia Militar.