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Olinda realiza 27ª Noite dos Tambores Silenciosos e celebra religiosidade de matriz africana

Evento iniciou com cortejo até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Adelmo Lucena e Crysli Viana

Publicado: 09/02/2026 às 23:02

27ª Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda/Foto: Crysli Viana/DP Foto

27ª Noite dos Tambores Silenciosos de Olinda (Foto: Crysli Viana/DP Foto)

Olinda recebeu, na noite desta segunda-feira (9), a 27ª edição da Noite dos Tambores Silenciosos, promovida pela Associação dos Maracatus de Olinda (AMO). A programação teve início às 20h, com concentração nos Quatro Cantos, no Sítio Histórico, e cortejo em direção à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no bairro do Bonsucesso.

Realizado anualmente na semana que antecede o carnaval, o ritual é uma das mais tradicionais manifestações do calendário cultural da cidade e está diretamente ligado às obrigações religiosas dos maracatus de baque virado de Olinda. O encontro reafirma a religiosidade de matriz africana que sustenta o Maracatu de Nação como expressão sagrada, histórica e coletiva.

Nesta edição, participaram nove nações de maracatu: Leão Coroado, Camaleão, Badia, Nação de Luanda, Maracambuco, Pernambuco, Estrela de Olinda, Tigre e Sol Brilhante de Olinda, além de convidados.

Após a concentração, os grupos seguiram em cortejo pelas ruas e pelo Largo do Amparo até a Igreja do Rosário dos Homens Pretos. Na chegada, cada nação entoa loas em homenagem aos ancestrais, abrindo espaço sucessivamente para o grupo seguinte. À meia-noite, terá início o ritual religioso, conduzido pelo zelador de santo, com cantos de origem africana.

“Essa noite é incrível e eu digo que é mágica, porque além da cultura que a gente vive em si, e até a parte religiosa também, que é importantíssima, a gente traz para rua o que se vive em casa. Isso é muito importante”, afirma Renata Taguti, batuqueira do Maracatu Nação Camaleão.

Para Ítalo Douglas, embaixador do Maracatu Nação Camaleão, o evento permite a continuidade das tradições africanas. “É um momento de celebrar nossas tradições, nossos passados, nossa força de resistência e cultura. É viver a abertura do carnaval e receber bênçãos e caminhos. É falar sobre os nossos que passaram e celebrar a tradição que até hoje continua viva.”

Durante a cerimônia, a frente da igreja é perfumada e, ao final, os tambores, que permanecem em silêncio ao longo do rito, voltam a rufar.

A Noite dos Tambores Silenciosos remete à história da população negra em Olinda, presente desde o século XVI, com a chegada de africanos escravizados para o trabalho nos engenhos. No início do século XVII, esse grupo construiu a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, espaço de culto, convivência comunitária e preservação de saberes.

Mesmo diante das imposições do período colonial e dos efeitos da invasão holandesa, a resistência cultural resultou em práticas marcadas pelo sincretismo religioso. Inserida no contexto do carnaval, a cerimônia permite manter viva a memória e ancestralidade afro-brasileira.

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