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ATENTADO

Justiça condena jovem de 18 anos que planejou atacar escola no Agreste de Pernambuco em 2025

Homem foi condenado a 2 anos e 10 meses de prisão e cumprirá pena em regime aberto. Ele deverá manter distância mínima de 300 metros de escolas

Jorge Cosme

Publicado: 04/02/2026 às 17:26

Homem estava preso preventivamente na Penitenciária Juiz Plácido de Souza./Foto: Divulgação/Grupo Além das Grades

Homem estava preso preventivamente na Penitenciária Juiz Plácido de Souza. (Foto: Divulgação/Grupo Além das Grades)

A Vara Única da Comarca de Cachoeirinha, no Agreste, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), condenou um homem de 18 anos acusado de planejar um ataque à sua antiga escola na cidade. A defesa alega que ele é inocente, agiu por curiosidade e jamais cometeria o atentado.

Na decisão, o juiz condenou o homem a 2 anos e 10 meses de prisão por disseminar nas redes sociais discurso de ódio, incitação à violência, apologia à autolesão, suicídios, massacres escolares e violência extrema. Como ele já cumpriu mais de 6 meses de prisão preventiva, o magistrado determinou que ele vá para o regime aberto. O acusado não poderá utilizar internet e deverá manter distância mínima de 300 metros de escolas públicas ou privadas.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o réu, entre 16 de junho de 2025 e 8 de julho de 2025, da sua casa em Cachoeirinha, praticou, induziu e incitou a discriminação e o preconceito de raça, etnia e religião por meio da rede social X, antigo Twitter. No mesmo período, ele teria feito, publicamente, apologia de fatos criminosos e de autores de crimes.

O caso foi investigado pelo Núcleo de Investigação Cibernética do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPPE.

Referências a massacres

O núcleo identificou que o denunciado utilizava perfis com referência ao termo "estuprador" e ao número 1488, "notória saudação neonazista".

Além disso, ele usava "Sapirman" como nome de exibição, uma alusão a um autor de tiroteio em massa nos Estados Unidos.

Em 16 de junho de 2025, o réu publicou a frase "I want to use this account to publicize my attack" ("Quero usar esta conta para divulgar meu ataque").

Em mensagem posterior, escreveu que precisava planejar uma maneira de chamar a atenção e citou outros autores de massacres escolares ocorridos em 2024 e 2025.

"Tal postagem configura clara apologia aos crimes cometidos (...) [por] autores de massacres escolares que resultaram em diversas mortes, exaltando seus atos e manifestando o desejo de obter notoriedade da mesma forma", conclui o MPPE.

De acordo com o Ministério Público, a análise do celular do acusado "revelou conversas alarmantes na plataforma TikTok, que demonstram que [o acusado] estava planejando cometer um atentado extremista". O órgão continua: "Inclusive, ele já havia escolhido o alvo: sua antiga escola".

No dia 19 de junho de 2025, o réu escreve: "Em breve eu tbm irei realizar o meu ataque". Na mesma data, ele publica que quer matar a mãe.

Já em 5 de julho, o denunciado afirma "I'm planning to attack my old school" ("Estou planejando atacar minha antiga escola"). Na mesma conversa, segundo o MPPE, ele expressa temor de "falhar e não ficar famoso" a um interlocutor.

O celular também continha mais de 3 mil imagens de armas de fogo e mais de mil de facas.

Já no histórico de navegação foram encontrados acessos a páginas a partir de temas como "como fazer um massacre", "como transmitir ao vivo" e "como comprar uma arma".

O MPPE cita que, informalmente, a mãe do investigado contou que ele vivia "a aperreando por uma arma" e que "vive isolado, não se relaciona com ninguém, largou os estudos e se trancou em casa, fazendo uso do celular".

Crime de discriminação

O investigado ainda compartilhou a foto de um terrorista neonazista responsável por atentados em Londres. Na legenda escreveu que ele era "o melhor removedor de subumanos".

Ele também publicou vídeo de um ataque a uma pessoa em situação de rua com coquetéis molotov e retuitou uma postagem de cunho antissemita: "I'm so sick of these jews it's unreal" ("Estou tão farto desses judeus que é irreal").

Segundo a denúncia, o homem realizou publicações que "evidenciam sua adesão a ideologias extremistas e seu apego a indivíduos com históricos criminosos notórios".

Em 19 de junho de 2025, ele escreveu "Jeffrey Epstein please save me" ("Jeffrey Epstein, por favor, me salve"). Epstein foi um criminoso sexual e magnata financista dos Estados Unidos.

Outro registro citado na denúncia é da mesma data da mensagem anterior. "Every trucel likes Algore" ("Todo truecel gosta de Algore"). A expressão "truecel" é um termo derivado da subcultura "incel".

"Embora nem todos os incels sejam extremistas, uma facção dessa comunidade é associada a ideologias misóginas, ódio às mulheres e, em alguns casos, a movimentos de supremacia masculina e extrema-direita que defendem violência contra mulheres", ressalta o MPPE.

Prisão

A pedido do MPPE, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva, que foi cumprido em 9 julho de 2025.

Após a prisão, o curso da ação penal chegou a ser suspenso por causa de instauração de incidente de insanidade mental. Laudo pericial posterior, entretanto, reconheceu que, no período dos fatos, o réu era totalmente capaz de entender o caráter criminoso de sua conduta e de se comportar de acordo com esse entendimento.

Em interrogatório, o jovem confessou os crimes e disse que estava arrependido.

Segundo o juiz, na decisão, o MPPE comprovou a prática de cinco crimes de apologia e outras quatro de discriminação.

"O mesmo efetivamente estava planejando realizar um ataque a uma escola, pondo em perigo a vida de diversas crianças e adolescentes, além de professores e demais funcionários da unidade de ensino", escreve o magistrado.

“Menino bom”

Procurado, o advogado de defesa José Vinícius Simplicio de Lima declara que já entrou com uma apelação contra a decisão e que o cliente é inocente. Segundo o advogado, o réu jamais cometeria o atentado.

“Trata-se de um menino bom, um rapaz novo, que se envolveu com essas pessoas, mas não compactuou com qualquer racismo, qualquer discriminação ou apologia ao crime”, defende.

“A defesa entende e já conversou com ele que era muita curiosidade dele em saber os pensamentos dessas pessoas, a forma de agir, mas em nenhum momento ele tentaria fazer algum atentado na cidade de Cachoeirinha ou qualquer outra cidade vizinha”, complementa José Vinícius.

O advogado também reforça que o cliente tem transtornos mentais, com histórico na família.

"Ele é uma vítima do Estado, que não deu apoio social, médico. Faltam políticas públicas para dar suporte às pessoas nessas condições", diz o advogado, acrescentando que o réu está totalmente arrependido.

O homem estava na Penitenciária Juiz Palácio de Souza, em Caruaru, no Agreste. Segundo o advogado, ele deixou a prisão para cumprir a pena no regime aberto nesta quarta-feira (4).

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