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PRÉVIAS DE CARNAVAL

PM diz que confusões em prévias de carnaval estão associadas a "organização do ambiente"

Episódios de confusão foram registrados após as prévias de carnaval e PM destaca que não houve falta de efetivo durante as realizações dos eventos

Adelmo Lucena

Publicado: 19/01/2026 às 20:00

Coronel da PMPE João Barros fala, em coletiva de imprensa, sobre confusões em prévias de carnaval/Foto: Crysli Viana/DP Foto

Coronel da PMPE João Barros fala, em coletiva de imprensa, sobre confusões em prévias de carnaval (Foto: Crysli Viana/DP Foto)

Um dia após duas pessoas serem baleadas e 20 pessoas detidas pela Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) em prévias de carnaval na Região Metropolitana, o diretor de planejamento operacional da PM, coronel João Barros, disse que “organizadores de eventos exercem grande influência sobre a segurança pública”. Ele garantiu que as ocorrências não têm relação com falta de efetivos nas ruas.

Duas pessoas foram baleadas no domingo (18) durante as prévias de carnaval em Olinda e no Recife. Na capital, um homem foi atingido na perna no Vasco da Gama, na Zona Norte, nas proximidades de onde foi realizado um bloco. Já em Olinda um folião foi baleado depois da saída da troça John Travolta. Além disso, 20 pessoas foram detidas no CDU Folia, na Zona Oeste.

De acordo com a PM, 460 agentes atuaram no CDU Folia, com apoio de quatro viaturas e 12 motocicletas. No entanto, o coronel João Barros pontua que as confusões que aconteceram no final de semana ocorreram após a realização das prévias no momento em que pessoas insistiam em dar continuidade às comemorações.

“Alguns fatos atribuídos a blocos não ocorreram, de fato, durante os desfiles. Um exemplo é o caso de uma pessoa baleada no Vasco da Gama, que aconteceu após o encerramento do bloco, quando já não havia mais foliões no local. O mesmo ocorreu em Olinda, na Joaquim Nabuco, onde o bloco já havia se encerrado. Esses casos estão sob investigação da Polícia Civil, e ainda não há autoria definida”, afirma.

Ainda segundo o coronel, a PMPE está com uma maior capacidade para colocar policiais nas ruas, já que foram incorporados 2.300 novos soldados e 148 aspirantes. A estimativa é um aumento de aproximadamente 40% no efetivo policial nos blocos. Ele destaca que as circunstâncias do evento também acarretam em problemas, como os vistos no domingo.

“No início de alguns eventos, tivemos que desligar dezenas de paredões irregulares, que não faziam parte da programação. Pessoas que moram ao longo do percurso montam camarotes irregulares, com música eletrônica, atraindo aglomerações que não estão previstas no desfile. Além disso, há ruas mal iluminadas e uma quantidade excessiva de ambulantes, dificultando a circulação de foliões e do policiamento. Esse conjunto cria um ambiente propício para ocorrências como as registradas no CDU Folia”, destaca.

Além disso, o coronel disse que “a segurança pública é dever do estado, mas responsabilidade de todos” e que “em nenhum momento a PM deixou de atuar”. Ele ainda associou os episódios de insegurança às organizações dos eventos.

“Não houve erro no dimensionamento do policiamento. O problema está, principalmente, na organização do ambiente. Ruas estreitas, veículos no meio dos foliões, ambulantes em excesso, tudo isso dificulta a atuação policial. Precisamos intensificar o diálogo com prefeituras, organizadores e demais parceiros. Carnaval é uma responsabilidade conjunta da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, organizadores, poder público e população”, frisa.

O oficial também disse que há blocos com foliões de perfil “familiar”, enquanto outros que “priorizam atrações com trios elétricos e determinados estilos musicais atraem um público diferente, com outro perfil e clima. Isso demonstra, de forma clara, que os organizadores de eventos exercem grande influência sobre a segurança pública.”

Por fim, ele também explicou que os policiais recém-formados passaram por um treinamento para atuar nas prévias e no carnaval. “Desde a semana passada, eles vêm passando por capacitações no Batalhão de Choque, com treinamentos sobre conduta de patrulha e uso progressivo da força. Além disso, durante os lançamentos, reforçamos orientações sobre técnica e postura, especialmente para ocorrências de brigas múltiplas. Essa capacitação está em andamento.”

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