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Pernambucano conquista nota mil na redação do Enem citando Daniel Munduruku e cinema brasileiro

Pernambucano do Recife, Caio Silva Braga, de 18 anos, é estudante do curso de Ciência da Computação da UFPE

Marília Parente e Nicolle Gomes

Publicado: 16/01/2026 às 11:16

Caio atua como monitor no Colégio Núcleo, onde estudou durante o ensino médio/Nicolle Gomes/DP

Caio atua como monitor no Colégio Núcleo, onde estudou durante o ensino médio (Nicolle Gomes/DP)

O pernambucano Caio Silva Braga, de 18 anos, tomou um susto ao descobrir que conquistou nota mil na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Estudante do curso de Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ele garante que fez a prova apenas “por fazer” e que não esperava o resultado.

Em 2025, a redação teve como tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. “Quando você olha e vê um mil, é muito esquisito. Fiquei muito feliz, não tinha muita expectativa”, confessa. “Vi vários amigos reclamando. Geralmente a gente vê nos temas a ideia de ‘desafio’, então 'perspectivas' não era o que eu estava esperando. Fui ler o texto de apoio e gostei bastante”, completa.

Caio, que prefere começar as provas pela redação, conta que costuma dedicar cerca de dez minutos à elaboração das estruturação do texto, mesmo antes de iniciar o rascunho. Na introdução, ele investiu na visão dos povos originários sobre o tema, citando o escritor indígena Daniel Munduruku.

“No segundo parágrafo, eu trouxe uma visão histórica, sobre a desvirtuação do envelhecimento pela elite na Lei do Sexagenários, que não deixava os escravos chegarem na vida idosa. Falei do envelhecimento como privilégio”, continua Caio.

Em seguida, o jovem citou ainda o filme Vitória (2025), estrelado por Fernanda Montenegro e dirigido por Andrucha Waddington e Breno Silveira, que conta a história de Joana Zeferino da Paz. Ela viveu anos sob anonimato forçado no programa de proteção a testemunhas, utilizando o pseudônimo de Vitória e registrando com uma câmera a movimentação da quadrilha que atuava na comunidade da Ladeira dos Tabajaras, no Rio de Janeiro.

“O filme coloca o idoso numa perspectiva de protagonismo, de tomar atitude, fazer por conta própria. Tentei trazer visões diferentes a respeito do envelhecimento no Brasil com o passar do tempo”, completa. 

Apesar de comemorar o resultado, Caio garante que pretende seguir na UFPE. A quem ainda se prepara para tentar o tão sonhado ingresso na universidade, ele aconselha: cuidar da saúde mental é prioridade.

“O estudo tem que ser pensado, devagar e bem feito. Você deve se colocar em primeiro lugar. É muito importante se sentir bem para, de fato, entregar o que é cobrado”, conclui.

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