Novo golpe usa videochamadas para roubar vítimas; saiba como se proteger
Golpistas se passam por funcionários de bancos e da Previdência para capturar dados biométricos
Publicado: 07/01/2026 às 20:11
Golpes por vídeochamadas têm ficado cada vez mais comuns (Foto: Rafael Vieirs/DP Foto)
Conhecido como o "golpe da videochamada", um novo tipo de crime cibernético tem sido realizado através de ligações vídeo para as vítimas e já resultou em um prejuízo de R$ 58 mil para uma aposentada em Pernambuco. Fingindo ser um gerente de banco ou funcionário da Previdência Social, criminosos têm capturado dados biométricos do usuário para acessar contas bancárias e realizar transferências, pagamento de boletos e empréstimos.
Para realizar a captura, os golpistas solicitam que as vítimas façam gestos comuns, geralmente exigidos por aplicativos bancários para confirmar a identidade. Entre os comandos estão levantar e abaixar a cabeça, virar para os lados ou aproximar o rosto da câmera frontal do celular. Foi o que aconteceu com a aposentada Maria das Graças (nome fictício), de 73 anos. A ação resultou em dois empréstimos de R$ 20 mil e outro de R$ 10 mil, além de R$ 8 mil retirados de sua conta por meio de transferências via PIX e pagamentos de boletos.
Na tarde da última terça-feira (6), ela recebeu no WhatsApp duas mensagens de um número que aparentava ser da Previdência Social. A “funcionária” se apresentou como Bárbara e disse que precisava fazer uma prova de vida com a aposentada, ou ela teria seu benefício suspenso. “Na ligação de vídeo, a tal Bárbara disse que ela não precisava passar nenhuma informação porque ela já tinha o nome completo, o CPF, disse até que ela tinha feito uma mudança recente de conta bancária. Ela tinha várias informações pessoais da minha avó que fizeram com que ela acreditasse que aquilo era oficial mesmo”, conta a neta da idosa, Lídia, de 24 anos.
Segundo Lídia, Bárbara, que não aparecia na chamada de vídeo, pediu que sua avó baixasse um aplicativo através do link que enviaria pelo WhatsApp e não saísse . O app, de acordo com ela, “tinha a logo da Previdência Social, inclusive se chamava Previdência.Gov e parecia ser mesmo do governo. A Bárbara até disse que ela poderia consultar quando vovó receberia por ali”, diz.
No entanto, de acordo com a neta, Maria das Graças não precisou fazer login ou acessar suas contas no aplicativo fraudulento, apenas abri-lo. “A partir daí, a gente acha que a Bárbara já estava com acesso remoto ao aparelho, porque minha avó não precisava fazer mais nada. Somente ficar com o rosto na frente do celular, que é como a gente imagina que ela conseguiu fazer o reconhecimento facial e acessar a conta do banco”, conta Lídia.
A família está tentando cancelar os empréstimos no banco, fez boletim de ocorrência e está sem usar o aparelho celular de Maria das Graças até que seja formatado. “Vovó está muito aperreada. Ela e meu avô não conseguiram dormir essa noite, eles estão nervosos para saber como vamos resolver”, comenta.
Titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, a delegada Isabela Veras alerta que os bancos não realizam videochamada para validação de identidade e nem solicitam reconhecimento facial por chamadas comuns. “Qualquer contato desse tipo, a orientação é encerrar a ligação imediatamente e procurar o canal oficial da instituição, pelo aplicativo bancário ou indo à agência”, aconselha.
Já, caso o golpe aconteça, Isabela afirma que é importante que a vítima faça boletim de ocorrência. “Porque com a hora, data da ligação e o número, mesmo que seja spoofing, temos como oficiar a operadora de telefonia”, explica. “Além disso, caso o criminoso invada a conta bancária, é muito importante que a instituição financeira seja comunicada para poder tentar reaver o dinheiro”, finaliza.