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ELEIÇÕES 2026

Sem provas, Eduardo Bolsonaro acusa fraude e pede que comunidade internacional não reconheça vitória de Lula

Ex-deputado, que há uma semana já atacava a credibilidade das urnas, defende agora uma pressão internacional pela anulação do resultado

Nilton Vilanova

Publicado: 26/10/2026 às 16:37

Eduardo também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h a votação/Foto: Pedro França/Agência Senado

Eduardo também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h a votação (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou nesta segunda-feira (26), na plataforma X, um vídeo em inglês no qual pede que a comunidade internacional não reconheça a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. Eduardo também defendeu que outros países pressionem pela anulação do pleito, sem apresentar provas de fraude.

"Não reconheçam estas eleições. Sem dúvida, como disse Flávio, precisamos anular esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional", afirmou.

Eduardo também pediu que o vídeo fosse compartilhado para mobilizar apoiadores no exterior contra o resultado das urnas.

Argumento sobre os votos do primeiro turno

No vídeo, Eduardo questionou o crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno. Para sustentar a tese de que o resultado seria "inacreditável", ele somou os votos recebidos no primeiro turno pelos candidatos Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Os quatro candidatos receberam pouco mais de 9,05 milhões de votos no primeiro turno. Como Lula ampliou sua votação em cerca de 10,3 milhões de votos entre as duas etapas, o ex-deputado argumentou que não haveria explicação para o crescimento.

"Quando Lula venceu, foi como se tivesse recebido todos esses votos e ainda quase outros 2 milhões. Isso é simplesmente inacreditável. Estatisticamente, isso seria impossível de acontecer", afirmou.

O argumento, porém, desconsidera que o número de eleitores que compareceram às urnas aumentou no segundo turno e que os votos dos candidatos derrotados não são automaticamente transferidos para um único concorrente.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, 125 milhões de eleitores compareceram às urnas. No segundo turno, em 25 de outubro, foram mais de 128,1 milhões.

A abstenção também caiu de 33,4 milhões de eleitores no primeiro turno para 30,5 milhões no segundo. O índice de ausência passou de 21,08% para 19,2%.

Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,16% dos votos válidos contra 47,03% do candidato do PL. No segundo turno, o petista chegou a 51,79%, enquanto Flávio ficou com 48,21% e a diferença final foi de cerca de 4,4 milhões de votos a favor de Lula.

Crítica à prorrogação da votação

Eduardo também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou até as 19h a votação nas seções que ainda estavam funcionando.

A decisão ocorreu após pedido da campanha de Lula, que alegou problemas na oferta de transporte público em diferentes regiões do país e prejuízos ao deslocamento de eleitores.

O ex-deputado classificou a medida como uma alteração das regras durante o processo eleitoral e voltou a associar Zanin a Lula.

"Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo, no meio do jogo, às 17 horas e um minuto", afirmou.

A decisão sobre a extensão do horário também provocou críticas de outros integrantes da oposição, que anunciaram a intenção de apresentar pedidos de impeachment contra o ministro.

Investigações sobre transporte

O segundo turno foi marcado por relatos de dificuldades no transporte público em diferentes estados.

O Ministério da Justiça identificou problemas na oferta de transporte coletivo em oito estados: Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas, Rio de Janeiro e Paraíba.
A Polícia Federal também abriu investigações sobre denúncias relacionadas à restrição ou redução da oferta de transporte durante a votação. Entre os estados que passaram a ser alvo de apurações estão Sergipe, São Paulo, Alagoas, Piauí e Bahia.

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