Em busca da virada, aliados de Lula miram abstenção e endurecem críticas a Flávio no Recife
Durante encontro no Recife, lideranças defenderam investimentos do governo federal e intensificaram críticas ao adversário de Lula
Publicado: 09/10/2026 às 22:37
Encontro aconteceu durante a plenária de mobilização "Bora de Virada, Pernambuco com Lula", realizada no bairro de Santo Amaro, no Recife (Karol Rodrigues/DP Foto)
A tentativa de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial reuniu lideranças da esquerda pernambucana, nesta sexta-feira (9), em uma plenária de mobilização no bairro de Santo Amaro, no Recife. Com discursos voltados à redução da abstenção, à defesa dos investimentos federais e a críticas à família Bolsonaro, o encontro contou com a presença dos senadores Humberto Costa e Teresa Leitão (PT), do prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), entre outras lideranças.
Reeleito senador no último domingo (4), Humberto apontou a redução da abstenção como uma das prioridades da campanha. A avaliação do parlamentar é de que o comparecimento de eleitores ausentes na primeira votação poderá contribuir para ampliar o desempenho de Lula, especialmente em estados onde o presidente mantém uma base eleitoral expressiva.
“O que nós estamos trabalhando agora é no sentido de reduzir a abstenção, porque, com a redução da abstenção, com certeza, o número de votos a favor de Lula deve crescer”. Humberto também defendeu que a campanha explore as diferenças entre as trajetórias políticas dos dois presidenciáveis.
Para ele, os debates eleitorais poderão influenciar a decisão de parte dos eleitores nas próximas semanas. “Lula irá participar de todos os debates que vierem a acontecer, com certeza. E eu acho que Lula tem tudo para ter um grande desempenho e isso interferir no resultado e no pensamento das pessoas durante essa eleição”, declarou.
Investimentos federais entram no discurso
Se Humberto concentrou sua intervenção na estratégia para conquistar votos, o prefeito Victor Marques procurou dar materialidade à defesa da continuidade do governo Lula. O gestor recorreu aos repasses federais destinados ao Recife para sustentar que a relação entre a União e os municípios deve ocupar espaço no debate eleitoral.
Segundo Victor, 94% dos recursos federais repassados à capital pernambucana por meio de novos convênios, considerados os últimos oito anos, foram destinados durante as gestões de Lula. “O retrato desses oito anos: 94% do repasse do governo federal em novos convênios foi com o presidente Lula. Então, como é que eu não posso defender isso com muita garra e com cabeça erguida?”.
Ao destacar a distribuição territorial dos investimentos, Victor afirmou que as periferias do Recife concentraram parte importante das ações viabilizadas com recursos federais. O argumento foi apresentado como uma das formas de dialogar com eleitores ainda não convencidos sobre a escolha no segundo turno. “O desafio será gigante, mas a vitória vai ser muito bonita”, afirmou.
Teresa Leitão endurece críticas à família Bolsonaro
O tom da plenária ganhou contornos mais duros com a intervenção da senadora Teresa Leitão. A parlamentar associou a candidatura de Flávio Bolsonaro à atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 e defendeu que o episódio seja retomado no debate eleitoral.
Teresa afirmou que a próxima legislatura será marcada por dificuldades para os parlamentares aliados de Lula, diante da composição política do Congresso Nacional. Ao mencionar Humberto Costa, Marília Arraes e outros nomes eleitos para o Legislativo, a senadora descreveu o Parlamento como um espaço de enfrentamento político.
“A vida no Parlamento não vai ser fácil. Lá é uma trincheira e nós vamos dar conta de todos eles, mas a gente precisa de um governo que dê continuidade ao que Victor aqui falou, de uma relação administrativa coerente, de uma coordenação que dê valor aos estados e aos municípios”, declarou.
Na sequência, a senadora estabeleceu uma associação direta entre pai e filho, sugerindo que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro reproduziria as posições adotadas pelo ex-presidente. “Se um filho for presidente e tiver uma pandemia, vai ser a mesma coisa, porque o DNA é o mesmo. É o DNA do golpe, é o DNA do fascismo, é o DNA do entreguismo, é o DNA do desrespeito”.
Mobilização continua no domingo
A agenda de mobilização em apoio à reeleição de Lula terá continuidade neste domingo (11), com um ato no Parque 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife. A concentração está marcada para as 14h e deve reunir estudantes, representantes de movimentos sociais, coletivos populares e trabalhadores da cultura.
Batizada de “Caminhada pela Democracia”, a mobilização terá como lema “Juntos contra o bolsonarismo” e busca ampliar a participação popular no debate eleitoral. Segundo os organizadores, o ato não terá vinculação partidária formal, embora ocorra em meio às manifestações de apoio a Lula e de oposição à candidatura de Flávio Bolsonaro.