° / °
Política
ELEIÇÕES 2026

Coligação de Raquel Lyra acusa rede de 987 perfis falsos de atacar a governadora no Instagram

Em petição à Justiça Eleitoral, coligação de Raquel Lyra afirma que contas recém-criadas agem de forma coordenada e pede que a plataforma identifique quem as opera

Nilton Vilanova

Publicado: 03/10/2026 às 17:12

Raquel Lyra foi a última candidata ouvida na série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Palácio das Princesas/Karol Rodrigues/DP Foto

Raquel Lyra foi a última candidata ouvida na série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Palácio das Princesas (Karol Rodrigues/DP Foto)

A coligação Pernambuco de Coração, que apoia a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), afirma ter identificado uma rede de 987 perfis falsos no Instagram que, desde maio, estaria atuando para atacar a candidata e defender o adversário, João Campos (PSB). A acusação consta em petição protocolada neste sábado (3) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) nº 0603249-19.2026.6.17.0000, instrumento que apura abusos de poder e irregularidades na campanha.

Segundo a coligação, os perfis foram catalogados entre maio e 1º de outubro, e parte deles já saiu do ar. A equipe de Raquel Lyra sustenta que as contas são recém-criadas, fechadas e de identidade inverificável, atuando de forma reativa a fatos da campanha, como divulgação de pesquisas, reportagens e debates. O relatório anexado reúne capturas de tela, nomes de usuário, datas e horários de cada registro, de acordo com nota divulgada pela campanha.

A coligação diz que, na madrugada seguinte ao debate da TV Globo, na terça-feira (29), 151 contas recém-criadas publicaram 3.488 comentários em 52 publicações de 18 páginas. Cerca de 85% desses comentários saíram de apenas 159 frases repetidas, segundo a petição. À 0h52 da última quarta-feira (30), teriam sido 51 comentários em um único minuto.

Em outra análise, referente aos 15 dias anteriores a 1º de outubro, a coligação afirma que 174 das 184 contas ativas que comentaram nas publicações foram criadas no Instagram em setembro de 2026. Cerca de 72% teriam trocado de nome de usuário no período. A nota indica ainda que 160 dessas contas utilizavam fotos de mulheres e que três perfis criados em setembro comentaram juntos em 19 publicações de páginas variadas.

Para a equipe da governadora, o padrão não condiz com o de um usuário comum. Na petição, a coligação argumenta que uma conta com menos de um mês de criação, fechada, com poucas fotos e que quase não segue ninguém "não corresponde ao perfil de quem comenta política" em dezenas de veículos de imprensa na mesma madrugada.

O que pede a coligação Pernambuco de Coração

A coligação pede que o TRE-PE determine ao Instagram que preserve as contas, os comentários, as respostas e as curtidas dos perfis citados. O grupo também solicita que a plataforma entregue, em 48 horas, os dados que permitam identificar quem opera as contas, incluindo os titulares de 219 delas, e que alguns perfis sejam suspensos temporariamente. Segundo a petição, o tribunal não deve permitir que uma "estrutura documentadamente coordenada" siga atuando no debate eleitoral "anônima sem investigação jurisdicional".

A campanha de Raquel Lyra afirma ainda que, em setembro, o TRE-PE mandou suspender o perfil @raquel_bolada, que convocou o público a receber a governadora com ovos em um ato de campanha. Segundo a coligação, o autor é funcionário terceirizado da Prefeitura do Recife.

A coligação diz também ter pedido à Justiça que o adversário esclareça a quem se refere quando fala em milícia digital, sem resposta até agora. Na nota, afirma que "quem acusa tem o dever de dizer a quem" e que Raquel Lyra "confia na Justiça".

O que diz a Frente Popular de Pernambuco

A Frente Popular de Pernambuco, coligação de João Campos (PSB) diz a coligação Pernambuco de Coração deve se explicar sobre os perfis que " promovem ataques nas redes sociais" a candidatura do socialista. O grupo afirma ainda que desde sexta-feira (2) a imprensa nacional está noticiando sobre uma investigação da Polícia Federal que comprova uma denúncia feita há quase um ano sobre a existência de um suposto gabinete do ódio ligado ao Governo de Pernambuco.

"É inaceitável saber que dados disponibilizados pelo próprio Poder Executivo estadual comprovam o uso da internet do Palácio do Campo das Princesas para administrar perfis de ataques, inclusive contra o candidato João Campos. É mais grave ainda saber que se trata do mesmo IP (endereço digital) de quem gerenciava as redes da própria governadora. Na sexta-feira, o STF remeteu o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância responsável por julgar processos contra governadores. A decisão comprova que a candidata Raquel Lyra é alvo de investigação da Polícia Federal", diz trecho da nota enviada ao Diario.

A Frente Popular diz que espera que as apurações, que incluem “indícios de associação criminosa e de desvio de recursos públicos”, sejam analisadas de forma rigorosa pela oposição. "Eleição não é vale-tudo. No lugar de espalhar ódio, este conjunto político vai seguir fazendo uma campanha limpa, apresentando as melhores propostas para Pernambuco", afirma trecho final da nota.


Mais de Política

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas