Pernambuco soma 3,9 mil denúncias no Pardal e é o 4º estado com mais queixas nas eleições
Recife concentra 1.288 registros. Vias públicas lideram reclamações, com 1.735 ocorrências, segundo painel da Justiça Eleitoral
Publicado: 02/10/2026 às 11:17
Aplicativo Pardal, permite denunciar irregularidades na propaganda eleitoral (Maurício Ferry/DP Foto)
Pernambuco aparece na quarta posição entre os estados com maior número de denúncias de propaganda eleitoral irregular registradas pelo aplicativo Pardal nas eleições de 2026. Segundo o painel de estatísticas da Justiça Eleitoral consultado, o estado soma 3.980 denúncias, atrás de São Paulo (12.018), Bahia (6.586) e Minas Gerais (5.338).
O Recife concentra a maior parte dos registros em Pernambuco, com 1.288 denúncias. Na sequência aparecem Cabo de Santo Agostinho, com 212; Vitória de Santo Antão, com 206; Petrolina, com 201; Jaboatão dos Guararapes, com 193; Paulista, com 188; Caruaru, com 183; Olinda, com 155; Igarassu, com 128; e Gravatá, com 91.
O Pardal é uma ferramenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criada para permitir que eleitoras e eleitores comuniquem à Justiça Eleitoral possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. Em 2026, o aplicativo também passou a receber denúncias envolvendo propaganda realizada na internet.
Entre os tipos de irregularidade registrados em Pernambuco, as ocorrências em vias públicas aparecem disparadas na primeira colocação, com 1.735 denúncias.
Em seguida estão:
- Bens particulares: 664
- Bens públicos: 433
- Carro de som, minitrio e trio elétrico: 297
- Distribuição de material gráfico: 162
- Propaganda na internet: 159
- Outdoors e outdoors eletrônicos: 136
- Adesivos em automóveis: 93
- Comícios e showmícios: 77
- Envio de mensagens: 58
- Confecção, utilização ou distribuição de brindes: 53
- Alto-falantes e amplificadores de som: 43
- Emissoras de rádio e televisão: 22
- Propaganda eleitoral em jornais e revistas: 14
Telemarketing: 7
O painel também registra denúncias relacionadas a candidatos que sejam artistas, outras irregularidades, omissões de informações obrigatórias, disparo de mensagens em massa e crime eleitoral.
Deputados estaduais são os mais denunciados
Quando os registros são separados pelo cargo relacionado à denúncia, deputados estaduais aparecem em primeiro lugar, com 1.756 ocorrências.
Deputados federais vêm em seguida, com 953, enquanto partidos, coligações e federações somam 593 denúncias. Também foram registradas 509 ocorrências relacionadas a governadores, 113 a senadores, 50 à Presidência da República e uma a vice-governador.
Os números representam denúncias registradas no sistema e não significam, por si só, que uma irregularidade tenha sido confirmada pela Justiça Eleitoral. Após o registro, a ocorrência passa por análise e pode resultar ou não em providências.
Como funciona o Pardal
O Pardal Móvel é gratuito e está disponível para celulares e tablets nas lojas Google Play e App Store. Para utilizar o aplicativo, o eleitor precisa se identificar por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. Apesar da necessidade de identificação para acessar o sistema, a identidade de quem faz a denúncia é protegida por sigilo.
Para fazer uma denúncia, é necessário descrever o que aconteceu e informar a situação considerada irregular e anexar, quando possível, fotos, vídeos, áudios ou endereço eletrônico que ajudem a comprovar a ocorrência. É importante guardar o número de protocolo, gerado pelo sistema, para acompanhar o andamento da denúncia.
O aplicativo utiliza um sistema automatizado para auxiliar na classificação inicial da ocorrência. Antes do preenchimento, o eleitor recebe orientações sobre as condutas permitidas e proibidas para evitar registros incorretos ou sem fundamento. O próprio denunciante pode alterar a classificação sugerida pelo sistema.
Depois de enviada, a denúncia é encaminhada à Justiça Eleitoral para análise. O sistema permite acompanhar o registro pelo próprio aplicativo ou por um endereço eletrônico enviado ao e-mail informado pelo denunciante. Dependendo do caso, a ocorrência pode ser encaminhada para a zona eleitoral responsável ou resultar em procedimento no Processo Judicial Eletrônico (PJe).
O TSE mantém ainda o Pardal Web, plataforma pública que permite acompanhar as estatísticas das denúncias por estado, município, cargo e tipo de irregularidade.
O aplicativo é direcionado principalmente a irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. Para situações que não se enquadram no Pardal, o próprio sistema pode direcionar o usuário para outros canais.
O TSE orienta, por exemplo, que conteúdos de desinformação eleitoral sejam encaminhados ao Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE). Já denúncias relacionadas a crimes eleitorais e outros ilícitos podem ser encaminhadas aos canais do Ministério Público Eleitoral.