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Política
SABATINA

Marília Arraes diz que Nordeste não pode voltar a ser "celeiro" do Sul e Sudeste

Candidata ao Senado afirmou, durante sabatina da FIEPE, que região precisa de investimentos em infraestrutura para atrair indústrias e ampliar a geração de empregos

Adelmo Lucena

Publicado: 08/09/2026 às 17:42

Marília Arraes (PDT) é candidata ao Senado/Foto: Reprodução/YouTube

Marília Arraes (PDT) é candidata ao Senado (Foto: Reprodução/YouTube)

A candidata ao Senado por Pernambuco Marília Arraes (PDT) afirmou, nesta terça-feira (8), durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), que o Nordeste precisa ampliar sua capacidade de produção e não pode voltar a ocupar apenas o papel de fornecedor de produtos agrícolas e consumidor de bens industrializados produzidos no Sul e no Sudeste.

Ao defender maior participação da região nas decisões nacionais, Marília disse que será preciso ter “coragem” e “firmeza” para enfrentar o que classificou como uma tentativa de transformar novamente o Nordeste em um “celeiro”.

“Se não tiver gente com coragem, com firmeza, para chegar e defender o Nordeste, vão querer transformar de novo o Nordeste num celeiro em que se produz agricultura, comércio e serviço, e que se consome das indústrias do Sul e Sudeste.”

Marília afirmou que, caso seja eleita, pretende atuar no Senado pela revisão do pacto federativo e por mudanças nos critérios de distribuição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR). Segundo ela, a divisão dos recursos não deveria levar em consideração apenas o tamanho da população, mas também indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), capacidade de investimento e infraestrutura.

A candidata relacionou a questão diretamente à capacidade de Pernambuco e dos demais estados nordestinos de atrair novos empreendimentos industriais. Para ela, investimentos em infraestrutura são necessários para melhorar as condições de competitividade da região.

“Uma revisão do pacto federativo, do FNDR, que, de fato, não considere simplesmente a população, mas considere PIB, capacidade de investimento e infraestrutura. Porque, sem infraestrutura, a gente não atrai indústria.”

Durante a sabatina, Marília também prometeu manter diálogo permanente com o setor produtivo pernambucano caso conquiste uma vaga no Senado. Ela afirmou que pretende manter as portas do gabinete abertas e buscar representantes da indústria e de outros segmentos econômicos para ouvir demandas e construir propostas.

Emprego e redução das desigualdades

A candidata também associou o fortalecimento da indústria à redução das desigualdades sociais. Ao citar pessoas que recebem o Bolsa Família, Marília defendeu a criação de condições para que esses beneficiários tenham acesso ao emprego e possam conquistar maior autonomia financeira.

Na avaliação dela, o desenvolvimento econômico depende de uma combinação entre aumento do consumo, fortalecimento da produção industrial e redução das desigualdades.

“Para a gente oferecer saídas para que quem vive do Bolsa Família possa ter mais dignidade, tendo seu emprego, produzindo e vivendo de forma que também possa viver a sua vida.”

Sudene

Além de defender uma maior participação do Nordeste nas decisões nacionais, Marília Arraes também defendeu o fortalecimento da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) como instrumento de redução das desigualdades entre as regiões brasileiras.

De acordo com a candidata, o órgão passou por sucessivos processos de desmonte ao longo dos anos e precisa manter sua função de promover o desenvolvimento econômico do Nordeste. Ela defendeu que Pernambuco tenha atenção especial nas discussões sobre a reforma tributária e o novo sistema de impostos.

“A Sudene é um instrumento de diminuição das desigualdades regionais que, há muitos anos, vem sendo alvejada por diversos governos, passando por diversos desmontes, e que tem sido resgatada com essa função. Então, sou favorável a que a gente tenha mais tempo para fazer essa discussão.”

A candidata também propôs a revisão e atualização do teto do Simples Nacional como forma de ampliar a capacidade de produção de pequenos e médios empresários. Para Marília, a redução da carga tributária sobre esses empreendedores seria uma medida de “justiça tributária”.

“Que a gente possa renovar e reajustar o teto do Simples, para que aquele empresário, aquele pequeno e médio empresário, possa ter uma maior capacidade de produção, pagando uma carga tributária menor. E isso se chama justiça tributária.”

Marília associou a proposta às medidas de redução de impostos para trabalhadores de menor renda. Ela citou a defesa da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e também de uma isenção relacionada a trabalhadores que dependem de ferramentas para exercer suas atividades profissionais, desde que comprovada essa necessidade.

A candidata voltou a defender uma revisão do pacto federativo e afirmou que Pernambuco precisa eleger representantes com capacidade de articulação no Senado, inclusive para dialogar com governos e grupos políticos de diferentes posições.

Proposta para beneficiários do Bolsa Família

Na sabatina, Marília Arraes também apresentou uma proposta voltada à inserção de beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho. A candidata defendeu a criação de cotas para pessoas inscritas no programa nas contratações feitas por empresas terceirizadas que prestam serviços aos governos municipais, estaduais e federal.

“Que a gente estabeleça cotas na contratação das terceirizadas que prestam serviços para o Poder Executivo municipal, estadual e federal, para beneficiar beneficiários do Bolsa Família, sem que eles percam o benefício durante, no mínimo, um ano”, defendeu.

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