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ELEIÇÕES 2026

Gestão, renovação e alianças: o que as convenções revelam sobre a corrida pelo Governo de PE

As narrativas adotadas por Raquel e João durante as respectivas convenções partidárias, segundo análise do cientista político Bhreno Vieira, reforçam atributos distintos

Elaine Guimarães

Publicado: 03/08/2026 às 17:45

Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB)/Karol Rodrigues e Maurício Ferry/DP Foto

Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) (Karol Rodrigues e Maurício Ferry/DP Foto)

A disputa acirrada entre as candidaturas de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) pelo governo de Pernambuco ganhou um novo capítulo após a realização das convenções partidárias no último final de semana. Os respectivos eventos oficializaram as costuras políticas realizadas ao longo dos meses que os antecederam e apresentaram o tom a ser adotado durante a campanha eleitoral.

Enquanto a governadora se apoiou nas entregas institucionais e críticas à gestão anterior, João usou o tempo à frente da prefeitura do Recife, como também a ligação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As narrativas adotadas pelos dois candidatos, segundo análise do cientista político Bhreno Vieira, reforçam atributos distintos. Para ele, o grupo governista tende a ressaltar as entregas administrativas, ampliação da base municipal e capacidade de execução de políticas públicas; em contraponto, a posição explora um discurso de renovação estadual. “O foco deixa de ser a montagem da chapa e passa a ser a disputa pela definição da agenda pública da eleição”, salienta.

Para o cientista político, parte do discurso da governadora de Pernambuco mobiliza três eixos centrais: valorização das entregas da gestão; construção da imagem de uma governadora que enfrentou resistências políticas e institucionais para implementar mudança; e contraposição entre um modelo de gestão orientado por resultados e práticas políticas associadas ao passado.

“Essa estratégia busca deslocar o debate do campo estritamente eleitoral para uma avaliação retrospectiva do governo, reforçando a legitimidade da candidatura à reeleição e procurando transformar a condição de incumbente em vantagem política”, pontua.

Ainda de acordo com Vieira, boa parte das falas de João Campos são uma tentativa de ampliação da identidade construída durante as gestões da cidade do Recife, com escalonamento para a esfera estadual. “Em vez de apresentar apenas resultados municipais, o discurso busca demonstrar capacidade de gestão replicável para Pernambuco”, analisa.

Além disso, a narrativa do ex-prefeito do Recife reforça uma associação, para além do institucional, com o presidente Lula, “especialmente diante da disputa pelo eleitorado de centro-esquerda e da importância do PT na composição da chapa. Essa aproximação procura agregar capital político nacional sem descaracterizar a identidade regional da candidatura”.

As alianças também foram exploradas durante as duas convenções. Conforme Bhreno Vieira, os acordos ampliam a infraestrutura eleitoral.

“Na Região Metropolitana, onde a comunicação de massa e a exposição dos candidatos possuem maior peso, lideranças estaduais e nacionais tendem a reforçar a identidade das chapas. No interior, entretanto, prefeitos, ex-prefeitos, deputados e lideranças municipais desempenham papel mais decisivo na mobilização eleitoral. Funcionando como cabos eleitorais, explicou em entrevista ao Diario.

Escolha para o Senado

Diferente de João Campos, Raquel Lyra definiu a chapa majoritária às vésperas da convenção partidária, após a disputa entre Eduardo da Fonte (PP) e Miguel Coelho (União) se arrastar por semanas. A escolha pelo deputado, segundo Breno Vieira, reúne vários fatores. 

"Eduardo da Fonte controla o Progressistas em Pernambuco e tornou-se uma das principais lideranças da Federação União Progressista no estado, o que fortalece sua posição nas negociações da chapa majoritária", salienta. 

Vieira também ressalta que o PP possui uma rede significativa de prefeitos, deputados e lideranças distribuídas em diferentes regiões do estado, "o que amplia sua capacidade de mobilização territorial". 

"A escolha [de Eduardo da Fonte] pode ser interpretada como resultado da combinação entre força organizacional da federação e busca por maior capilaridade regional, e não apenas como consequência do controle partidário."

Sobre os efeitos gerados pela escolha da governadora, como uma possível debandada de prefeitos ou aliados, o cientista político reforça que ainda é cedo para mensurar esses impactos definitivos. "Esse efeito dependerá da capacidade de acomodação dos interesses regionais e da manutenção do engajamento das principais lideranças do grupo durante a campanha."

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