João Campos diz que Pernambuco perdeu competitividade e vagas no ensino integral
João Campos aponta recuo de Pernambuco na educação técnica e cobra retomada de investimentos no setor
Publicado: 08/07/2026 às 21:36
Evento no Recife contou com a presença de lideranças da Frente Popular (Foto: Weslly Gomes/DP foto)
Em encontro com a Juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), nesta quarta-feira (8), no Recife, o pré-candidato ao governo pela Frente Popular de Pernambuco, João Campos (PSB), fez paralelos entre a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) e sua atuação à frente da Prefeitura do Recife. Para o ex-prefeito, o estado perdeu espaço e competitividade no setor de negócios e tem apresentado um enfraquecimento do ensino médio público.
“Pernambuco perdeu 28 mil vagas de ensino integral. É o único estado que reduziu vertiginosamente o número de vagas”, declarou João Campos, num contraponto à expansão de vagas de creches no Recife, que saltaram, segundo ele, de 6,5 mil para 13 mil na capital pernambucana. “Se você não faz o dever, como garantir merenda, não chega nem no debate pedagógico. A sensação é de que a gente tem um horizonte de reconstrução de áreas estratégicas pela frente.”
O comentário vem na esteira das críticas a uma das principais promessas da campanha de 2022 de Raquel Lyra: a construção de 250 creches novas e 60 mil vagas a serem disponibilizadas à população. Na última quinta (2), a governadora inaugurou o segundo Centro de Educação Infantil (CEI) Tia Manu, em Igarassu, que se tornou a 11ª unidade escolar inaugurada em sua gestão.
João Campos disse que, em 30 anos, o governo atual é o primeiro que não construiu uma escola técnica estadual (ETE). “A gente já teve a rede que mais crescia em educação técnica. Isso tem que ser um caminho permanente, tem que expandir, crescer e gerar oportunidade”, disse, ao afirmar que Pernambuco foi ultrapassado pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia. “Pernambuco só está à frente de Sergipe”, afirmou.
“É assim que a gente vai gerar oportunidade para a juventude, ganhar competitividade, atrair grandes empresas, multinacionais, gerar um ciclo de desenvolvimento?”, provocou o ex-prefeito do Recife, antes de evocar o Embarque Digital, parceria firmada com o Porto Digital que oferece graduação e tecnólogos no setor tecnológico aos recifenses. Segundo ele, metade das inscrições não é analisada, pois são de pessoas do interior de Pernambuco. “A gente precisa levar essas oportunidades para outros lugares”, disse.
Apesar disso, Campos manteve majoritariamente um discurso menos combativo, optando por destacar números da sua atuação como gestor, como a ampliação da atenção básica — com a inserção, segundo ele, de 300 mil pessoas cadastradas na Saúde da Família e o acréscimo de mais de 5 mil profissionais à rede. “Se a gente fizer o dever de casa de crescer a economia, trazer empresas e gerar mais de 10 mil empregos, se o orçamento crescer, a gente vai destinar o recurso público para quem precisa”, concluiu.
Indiretas ao palanque adversário
O encontro da Frente Popular de Pernambuco — composta pelo PT, PSB, Republicanos, PDT, PCdoB e PV — foi marcado pelo discurso moderado da chapa majoritária. Com a presença dos pré-candidatos ao Senado Federal, pelo PT, Humberto Costa — que disputa a reeleição ao cargo — e Marília Arraes, os políticos evitaram comentários sobre pleito em Pernambuco, preferindo relembrar suas respectivas trajetórias dentro do Partido dos Trabalhadores e fornecendo discursos para subsidiar a atuação futura da juventude da sigla.
Sem declarações marcantes da majoritária, coube a outros pré-candidatos e à própria militância o debate mais combativo da Frente, inclusive fazendo a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como aliado de João Campos. Ao lado do primo, Marília Arraes se limitou a comentar: “Do que adianta estar lá em Brasília lutando pela governabilidade de Lula quando a gente está disputando ao lado de alguém que quer destruir toda essa luta?”, disse, sem apontar nomes.
Antes dela, um membro da executiva da Juventude Nacional do PT ironizou abertamente a pré-candidata da chapa adversária, Raquel Lyra (PSD). “Mesmo que diga que tem sintonia administrativa com o governo federal, não tem alinhamento político”, declarou Cleyton Manoel. “Se tem alguém querendo colocar gosto ruim, que vá lá na governadora e cobre de que lado ela está. Porque, neste lado, não tem bolsonarista”, disse Felipe Cury, vice-presidente do PT-PE, em possível resposta ao deputado federal Túlio Gadelha, aliado da governadora.
Depois disso, a vereadora Kari Santos, que disputará uma vaga à Câmara dos Deputados, elencou a relação da governadora do estado com nomes mais conservadores em Pernambuco, como as famílias Collins, Ferreira e Tércio.