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Política
Entrevista

"É apoio a projetos, não à pessoa", diz João Paulo sobre aproximação com Raquel Lyra

O deputado estadual João Paulo defende uma postura republicana diante da polarização e sustenta unidade no PT

Elaine Guimaraes

Publicado: 08/07/2026 às 17:24

João Paulo (PT), deputado estadual/Rafael Viera/DP Foto

João Paulo (PT), deputado estadual (Rafael Viera/DP Foto)

A aproximação do deputado estadual João Paulo (PT) com a governadora Raquel Lyra (PSD) tem sido alvo de críticas internas e externas. Em entrevista exclusiva ao Diario de Pernambuco, o parlamentar defendeu o que ele chama de postura “republicana” e “democrática”, justificando a presença em algumas agendas e entregas da gestora estadual não como alinhamento político-partidário, mas como compromisso com o desenvolvimento de Pernambuco.

“A crítica é importante, é um instrumento científico de trabalho. Mas, eu não vou deixar de cumprir o meu papel que o povo de Pernambuco me delegou”, ressaltou. Segundo João Paulo, a sua atuação como parlamentar não pode negligenciar a colaboração institucional quando o foco é o benefício da população.

Ao Diario, o deputado citou o investimento em obras de contenção de encostas e infraestrutura em Jardim Monte Verde, no município de Jaboatão dos Guararapes, cuja prioridade no território ultrapassa a disputa eleitoral.

“Ela é governadora. Isso não é apoio a Raquel, é apoio àquele projeto. Ali morreram 43 pessoas e foi dedicada uma obra de R$ 43 milhões, que salvou vidas. Eu não teria como não participar de uma iniciativa dessa e participarei de outras que tenham, essencialmente, recursos federais ou que sejam de interesse público”, frisou.

Ainda sobre a governadora, João Paulo observa um discurso de neutralidade quando o assunto é apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Contudo, ele não descarta uma aproximação com o governo federal. Para ele, os avanços no estado, mediante incentivos federais, são dados concretos e que não devem ser ignorados. “Há sinalizações. Ela [Raquel Lyra] não tem como negar esse apoio”, disse, referindo-se aos feitos do presidente em Pernambuco.

Disputa em Pernambuco

O deputado minimiza as divergências e garante que o Partido dos Trabalhadores está coeso. “Nesse momento de polarização, o partido está 100% unido”, assegurou. Ao ser questionado sobre a aliança PT e PSB, João Paulo salienta que a formalização do apoio do presidente Lula à pré-candidatura de João Campos (PSB) faz parte de uma estratégia.

“A declaração de Lula está em função da decisão nacional do partido, que é garantir o PSB na vice-presidência e outros acordos nacionais em função da reeleição do presidente”. No pleito estadual, ele aponta um cenário acirrado. O parlamentar relembrou as pesquisas, mas pondera que elas são um recorte do momento e não definidoras.

“João vinha liderando com uma folga muito grande. Com a saída dele da prefeitura e o crescimento de uma oposição da direita, além da governadora com grandes entregas, trouxe um resultado um pouco mais favorável pró-Raquel. O cenário de hoje é apertado, mesmo com essa pouca vantagem da governadora segundo as pesquisas mais confiáveis. No entanto, as pesquisas são uma foto de determinado momento”.

Reeleição de Lula no primeiro turno

Na conjuntura nacional, João Paulo analisa que a reeleição do presidente Lula deve ser no primeiro turno e que o cenário se tornará mais difícil em uma eventual disputa no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), o qual ele se referiu como “traidor da pátria”.

“O cenário mais difícil para Lula é ir para o segundo turno. Nós não estamos falando, agora, apenas de uma disputa política; estamos falando de um traidor da pátria. Então, só de pensar no traidor da pátria, o Flávio Bolsonaro, passar para o segundo turno, é de você pensar qual o nível de conscientização da nossa nação. Por isso, dentro das minhas projeções, acho que a possibilidade é de Lula ganhar no primeiro turno”.

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