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Política
PRÉ-CANDIDATO

João Campos promete duplicação da BR-423: "Se o Governo Federal não fizer, eu faço como governador"

De olho no interior, o presidente do PSB defendeu o modelo do Pacto pela Vida e anunciou que partido fechará questão pelo fim da escala 6x1

Mariana de Sousa

Publicado: 19/05/2026 às 17:47

Prefeito do Recife, João Campos/Foto: Marina Torres/DP Foto

Prefeito do Recife, João Campos (Foto: Marina Torres/DP Foto)

Em entrevista concedida à Rádio Asas FM, em Lajedo, no Agreste Meridional, o ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB) fez uma promessa que remete à memória de seu pai, Eduardo Campos. Ao lembrar que o pai esteve no mesmo estúdio da emissora há 17 anos, debatendo a duplicação da BR-423, João assumiu compromisso público com a continuidade da obra até Garanhuns.

“Eu quero ter a oportunidade de governar o Estado de Pernambuco para fazer a duplicação até Garanhuns. E tem um compromisso: eu governador do estado, se o Governo Federal não fizer de Lajedo a Garanhuns, eu faço como governador”, afirmou.

A entrevista ocorreu durante agenda pelos 77 anos de emancipação política do município, ao lado do prefeito de Lajedo, Erivaldo Chagas (Republicanos). O pré-candidato socialista elevou o tom das críticas à gestão da governadora Raquel Lyra e apresentou promessas e compromissos para áreas como infraestrutura, saúde, segurança pública e abastecimento de água.

Ao comparar sua gestão na Prefeitura do Recife com a administração estadual, Campos ironizou o ritmo de entregas do Governo do Estado na área da educação infantil. Segundo ele, sua gestão entregou 107 creches em cinco anos no Recife, enquanto a administração estadual teria entregue apenas três unidades em três anos. “Prometeram 250 creches e entregaram três. Nesse ritmo, vai demorar 250 anos, um quarto de milênio, para terminar”, disparou.

Ainda durante a entrevista, o pré-candidato rebateu críticas históricas ao PSB e afirmou que Pernambuco teria menos equipamentos públicos caso não fossem os governos pessebistas anteriores.

“Se não fosse o PSB, Eduardo Campos, sabe quantas UPAs existiriam em Pernambuco? Nenhuma, porque o governo atual não fez nenhuma. Sabe quantas escolas técnicas existiriam no interior do estado? Sabe quantas escolas novas existiriam em todo estado de Pernambuco? Três, porque só inauguraram três escolas, três escolas. É preciso relembrar”.

Na área da saúde, João direcionou críticas à situação do Hospital da Restauração, no Recife, acusando o governo estadual de realizar apenas intervenções superficiais na unidade.

“O estado ajeitou dois andares, deixou oito completamente largados e pintaram a fachada para contar uma história de que reformaram o hospital inteiro”, declarou, citando ainda o episódio recente de desabamento de parte do teto da unidade.

Como proposta, o pré-candidato afirmou que pretende priorizar a recuperação das seis grandes emergências regionais do estado e ampliar atendimentos em estruturas já existentes, em vez de anunciar novos hospitais sem conclusão garantida.

O socialista também criticou a política de concessão da Compesa e afirmou que os investimentos precisam resultar em melhoria efetiva no abastecimento.

“Não adianta colocar R$ 2,5 bilhões na conta do Estado se a água não chega na casa das pessoas”, disse, citando problemas de abastecimento em municípios como Carpina e defendendo ampliação de adutoras e estações de tratamento.

Na segurança pública, João voltou a falar que Pernambuco estaria perdendo espaço para o avanço de facções criminosas. Segundo ele, os novos efetivos policiais estariam concentrados em bairros nobres da capital, enquanto o interior e as periferias permanecem desassistidos.

O pré-candidato relembrou o programa Pacto pela Vida e disse que, à época, “facção não entrava em Pernambuco” e defendeu a retomada de ações integradas entre Polícia Civil, Militar, Ministério Público e Judiciário, além da criação de uma força-tarefa para combater feminicídios.

PSB vai defender fim da escala 6x1, afirma João Campos

O presidente nacional do PSB ainda afirmou que o partido deverá fechar questão no Congresso Nacional em defesa do fim da escala de trabalho 6x1. Segundo ele, a posição da legenda será alinhada à defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, especialmente no debate sobre qualidade de vida e convivência familiar.

“O nosso partido fechou questão para ser contra a escala 6 por 1 e ajudar a defender o trabalhador e a trabalhadora, para que possa ter o direito de ficar com a sua família, ficar com o seu filho e poder cuidar daquilo que lhe interessa”, declarou.

Segundo João, o PSB pretende defender medidas compensatórias voltadas aos pequenos empreendedores e microempresas, argumentando que a mudança precisa considerar os impactos econômicos para negócios de menor porte. Segundo ele, a proposta deve garantir equilíbrio entre os direitos trabalhistas e a sustentabilidade das pequenas empresas.

“É a posição que eu tenho como cidadão, que eu tenho como presidente do partido. Nossa história é uma história de Arraes, de Eduardo e de homens e mulheres que lutaram sempre em favor dos trabalhadores”, afirmou.

 

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