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Política
CAIXA DE PANDORA

Ex-vereador de Jaboatão Pastor Edmilson é condenado por manter funcionários fantasmas

Pastor Edmilson foi alvo da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Civil em 2016

Jorge Cosme

Publicado: 16/04/2026 às 18:30

Edmilson Monteiro da Silva, o Pastor Edmilson./Foto: Reprodução/Redes sociais

Edmilson Monteiro da Silva, o Pastor Edmilson. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O ex-vereador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, Edmilson Monteiro da Silva, conhecido como Pastor Edmilson (PV), foi condenado por improbidade administrativa por manter dois funcionários fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal. O esquema foi identificado na Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela Polícia Civil em 2016.

Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Pastor Edmilson nomeou para cargos comissionados em seu gabinete os também réus Alex Hugo Marques Barbosa de Lima e Bárbara Cristina Alves da Silva Guimarães, que teriam recebido remuneração dos cofres públicos sem trabalhar. O prejuízo ao erário é calculado em R$ 59.165,69.

Os três réus apresentaram contestação alegando inaplicabilidade da Lei de Improbidade, prescrição, ausência de ato ímprobo, inexistência de dolo específico ou má-fé e efetiva prestação de serviços de natureza externa.

Na sentença assinada em 1º de abril, a juíza Simony de Fátima de Oliveira Emerenciano Almeida, do Gabinete da Central de Agilização Processual, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), diz que o conjunto probatório comprova que os nomeados não trabalhavam na Câmara.

"A tese defensiva de que os réus exerciam 'trabalho externo' de natureza política não se sustenta", escreve a juíza. "Trata-se de alegação genérica, desacompanhada de qualquer elemento probatório mínimo, como relatório de atividades, registros de visitas ou qualquer outro documento que pudesse corroborar a suposta atuação junto às comunidades".

A magistrada acrescenta que a nomeação de "servidores fantasmas" não é mera irregularidade administrativa. "É um ardil, um esquema deliberado com o fim específico de desviar recursos públicos".

Segundo ela, uma perícia mostrou que as folhas de ponto da servidora Bárbara foram falsificadas. Com relação ao ex-vereador, a juíza afirma que o dolo se configura na conduta de montar e manter o esquema, ciente de que os recursos públicos estavam sendo desviados.

Pastor Edmilson, Alex Hugo e Bárbara Cristina foram condenados a ressarcir integralmente o dano ao erário. A decisão também determina a suspensão dos direitos políticos do ex-vereador por oito anos e pagamento de multa civil no mesmo valor do dano.

A defesa dos condenados foi procurada, mas informou que não irá se pronunciar.

Operação Caixa de Pandora

Em 2016, a Polícia Civil indiciou 19 dos 27 vereadores da Câmara de Jaboatão pelos crimes de peculato e formação criminosa. Eles foram acusados de liderar um esquema de desvio de dinheiro público no pagamento de funcionários fantasmas.

O julgamento dos réus por improbidade está sendo realizado de forma desmembrada. Em maio de 2025, o Diario de Pernambuco noticiou a condenação de Charles Darks Rodrigues de Aguiar, o Charles Motorista (PL), por envolvimento no mesmo esquema.

Outros seis ex-vereadores tiveram a sentença de condenação publicada em novembro de 2025. Em um dos casos, a filha do ex-vereador também foi condenada porque se beneficiaria do esquema.

Em 17 de outubro saiu a condenação do ex-vereador Ricardo Cezar Valois de Araújo (PR), também alvo da Caixa de Pandora. Ele recebeu as mesmas penas de ressarcimento, pagamento de multa e perda de função. Entretanto, Valois, que também foi vice-prefeito de Jaboatão e presidente do Náutico, faleceu em outubro de 2023, aos 66 anos.

Em dezembro de 2025, também foi condenado o ex-vereador Miguel Antônio da Silva, o Miguel de Socorro (PP).

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