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Estudo

Restauração capilar: fios de cabelo podem ser criados em laboratório

Publicado em: 29/06/2019 16:30 | Atualizado em: 29/06/2019 16:34

Cirurgia atual precisa de 2 mil folículos capilares retirados do paciente, cuja perda precisa estar estabilizada. FOTO: Ed Jones/AFP (Cirurgia atual precisa de 2 mil folículos capilares retirados do paciente, cuja perda precisa estar estabilizada. FOTO: Ed Jones/AFP)
Cirurgia atual precisa de 2 mil folículos capilares retirados do paciente, cuja perda precisa estar estabilizada. FOTO: Ed Jones/AFP (Cirurgia atual precisa de 2 mil folículos capilares retirados do paciente, cuja perda precisa estar estabilizada. FOTO: Ed Jones/AFP)
Produzir pelos de ratos a partir de folículos retirados das próprias cobaias é uma façanha repetida por cientistas. O mesmo, porém, não acontece com fios de cabelo humano. “Por razões que não entendemos totalmente, nossas células são resistentes”, diz Angela Christiano, professora de dermatologia da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A pesquisadora e colegas recorreram à versatilidade da impressão 3D para tentar resolver o impasse. E conseguiram. Na edição desta semana da revista Nature Communications, mostram como foram criados, em laboratório, os primeiros folículos capilares humanos sem a necessidade de implante na pele.

Segundo a equipe, o resultado inédito abre a possibilidade de ampliação das cirurgias de restauração capilar — hoje, feitas principalmente em homens — e pode melhorar a forma como as empresas farmacêuticas buscam novas drogas para o crescimento de cabelo. “O que nós mostramos é que, basicamente, podemos criar uma fazenda capilar: uma grade de cabelos que são padronizados corretamente e projetados para que possam ser transplantados para o couro cabeludo do mesmo paciente”, destaca Angela Christiano.

Em trabalhos anteriores, a equipe tentou criar condições que imitassem o ambiente em que ficam as células capilares humanas. Para isso, foram desenvolvidas pequenas esferas de células, colocadas dentro de uma solução aquosa. Quando implantadas em camundongos, porém, essas esferas tiveram efeitos diversos: em alguns animais, deram origem a fios de cabelo. Em outros, não.

Agora, os cientistas americanos utilizaram a impressão 3D para criar um microambiente mais natural para o crescimento dos folículos capilares. Com a tecnologia, desenvolveram moldes de plástico com longas e finas extensões de apenas meio milímetro de largura. “As técnicas de fabricação anteriores não foram capazes de criar projeções tão finas. Esse trabalho foi mais fácil agora devido às inovações da tecnologia de impressão 3D”, frisa Angela Christiano.

Amostras de pele humana foram projetadas para crescer em torno do molde criado. Em outra frente, células do folículo piloso de voluntários receberam um coquetel de fatores de crescimento enriquecidos com ingredientes — incluindo substâncias que impulsionam crescimento capilar. Depois, elas foram cobertas por células que produzem queratina e colocadas no molde. A combinação ficou em pratos de petri. Três semanas depois, os folículos pilosos apareceram e começaram a criar fios de cabelo.

Fonte inesgotável
A equipe pondera que o método precisa ser otimizado, mas ressalta que o resultado inédito sinaliza que a técnica poderá se tornar uma fonte ilimitada de folículos capilares para indivíduos submetidos à cirurgia de restauração capilar. Nesse procedimento, é necessária a transferência de aproximadamente 2 mil folículos capilares da parte de trás da cabeça para a frente e para o topo do paciente. Geralmente, ele é feito em homens cuja perda de fios se estabilizou e há cabelos suficientes para serem retirados.

“Nosso trabalho amplia a disponibilidade de restauração capilar para todos os pacientes. Incluindo 30 milhões de mulheres nos Estados Unidos que sofrem de queda de cabelo e homens jovens cuja queda ainda não retrocedeu. A cirurgia de restauração capilar não seria mais limitada pelo número de cabelos dos doadores”, explica Angela Christiano.

Triagem
Os folículos geneticamente modificados também poderão ser explorados pela indústria farmacêutica para rastrear substâncias que favoreçam o crescimento capilar. Atualmente, a triagem de alto rendimento para novas drogas capilares tem sido dificultada pela incapacidade de cultivar folículos capilares humanos em laboratório.

Nenhuma droga foi encontrada por triagem. Os dois únicos princípios ativos aprovados para o tratamento de perda de cabelo padrão — finasterida e minoxidil — foram inicialmente investigados como tratamentos para outras condições. Os efeitos, porém, são limitados. No caso da finasterida, por exemplo, estima-se que, a longo prazo, ocorra de 20% a 30% de crescimento capilar, sendo que, em média, 40% dos pacientes não respondem ao tratamento.

Evitando queda após químio
Cientistas da Universidade de Huddersfield, no Reino Unido, trabalham em uma combinação de abordagens que poderá minimizar ou eliminar a perda de cabelo em decorrência do tratamento contra cânceres. A ideia é unir o resfriamento do couro cabeludo com o uso de um xampu especialmente formulado pela esquipe para estimular o crescimento capilar. Segundo os pesquisadores, usadas em conjunto, as técnicas terão uma taxa de sucesso de, ao menos, 80%. Separadamente, o resfriamento do couro cabelo reduz o risco de perda de cabelo e funciona em metade dos pacientes submetidos.  Em desenvolvimento, o xampu tem como base um produto natural e poderá ser usado pouco antes e logo depois da quimioterapia. A expectativa da equipe é iniciar os testes em humanos em até cinco anos. Ao todo 12 pessoas participam da pesquisa, incluindo professores e estudantes de doutorado.
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