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Nariz grande dos neandertais ajudava na sobrevivência ao frio, diz estudo

Além disso, devido aos seus corpos musculosos e atividades de caça, as narinas dos neandertais permitiam inalar "consideravelmente mais" ar do que as do homo sapiens

Por: AFP

Publicado em: 04/04/2018 15:26

Foto: Neanderthal Museum/Divulgação
Se o homem de Neandertal tinha um nariz protuberante com grandes orifícios, era para aquecer e umedecer o ar frio e seco que respirava em grande quantidade, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (4).

A morfologia única do homem de Neandertal - nariz volumoso, face larga e plana e mandíbula protuberante - há muito acende o debate entre os cientistas.

Apoiando-se em modelos 3D de crânios de neandertais, de homo sapiens e de seu suposto ancestral comum, o homo heidelbergensis, uma equipe internacional determinou as diferentes evoluções do sistema respiratório humano.

Os pesquisadores demonstraram que as características dos dois primeiros permitiam "aquecer e umidificar o ar de forma mais eficaz do que as do Homo heidelbergensis, sugerindo que estas duas espécies evoluiriam para melhor resistir a climas frios e/ou secos".

Além disso, as narinas dos neandertais permitiam inalar "consideravelmente mais" ar do que as do homo sapiens, uma particularidade que poderia ser explicada por suas necessidades energéticas mais elevadas em razão de seus corpos musculosos e sua atividade de caça.

Segundo o estudo publicado na revista britânica Proceedings, da Royal Society B, o homem de Neanderthal precisava de quase 4.480 calorias por dia para sobreviver ao inverno europeu.

Em comparação, hoje em dia um indivíduo precisa de cerca de 2,5 mil calorias.

E para queimar mais açúcar, gordura e proteína, eles precisavam de mais oxigênio. "A evolução particular da morfologia facial dos neandertais vem, pelo menos em parte, de sua adaptação ao frio", aponta o estudo.

Os neandertais apareceram na Europa, na Ásia Central e no Oriente Médio há 200 mil anos. Eles desapareceram 30 mil anos atrás.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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