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Neurônios em dia

A relação dura mais quando ambas as partes têm independência financeira

Esse é o primeiro estudo empírico que demonstra essa tendência com uma amostra populacional representativa dos EUA, por meio da análise de um período de 17 anos

Publicado em: 21/04/2018 16:17 | Atualizado em: 21/04/2018 16:53

Reprodução yoba.com.br/internet

 

Muitas teorias e poucas evidências empíricas. O fato é que muito ainda se discute se o melhor negócio para uma relação de casal é a independência financeira de cada um ou o contrário. Alguns defendem a ideia de que a dependência financeira, especialmente entre as mulheres, faz com que o casal tenha uma relação mais estável com um maior senso de compromisso com o outro. Outros discutem que, quando os dois são independentes, os afazeres em prol da família ficam em segundo plano e a relação fica mais vulnerável. Mas não é bem isso que uma pesquisa realizada pela Universidade de Cornell, nos EUA, acaba de mostrar. Os casais que têm mais equilíbrio dos seus ganhos financeiros individuais têm mais tendência a construir uma relação de longo prazo, e essas relações duram mais.
 
Esse é o primeiro estudo empírico que demonstra essa tendência com uma amostra populacional representativa dos EUA, por meio da análise de um período de 17 anos. A pesquisa também revelou que os indivíduos têm mais tendência a passar para o time dos casados ou dos que moram juntos quando ultrapassam certo grau de independência financeira, e isso vale tanto para os homens quanto as mulheres.

No Brasil, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, apesar de estudarem mais. Entretanto, lentamente as coisas vão se transformando. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), houve pela primeira vez na história uma queda no número de lares em que o chefe de família era o homem. Mesmo com a queda, dos 69,2 milhões de lares brasileiros em 2016, 40,5 milhões tinha o homem como chefe de família. Porém, pode existir um fator cultural que interfere nesses dados, já que os pesquisadores do IBGE não deixam explícito no momento da entrevista que chefe de família quer dizer quem assume a maior parte dos gastos do lar.   

 
 *Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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