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Notícia de Ciência e Saúde

Estudo

Novo teste de sangue e urina pode detectar autismo precocemente em crianças

Estudo é considerado por especialistas como o primeiro do tipo e pode ajudar crianças com espectro autista a terem tratamento adequado com mais antecedência

Publicado em: 19/02/2018 15:51 | Atualizado em: 19/02/2018 15:59

A principal expectativa dos especialistas do Reino Unido é de que, com o diagnóstico, as crianças possam receber tratamento e acompanhamento adequado com mais antecedência. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Um novo teste de sangue e urina pode levar ao diagnóstico precoce em crianças de distúrbios do espectro autista (ASD, na sigla em inglês), muitas vezes difíceis de serem identificados. O estudo de pesquisadores da universidade britânica de Warwick, considerado o primeiro do tipo, foi publicado nesta segunda-feira (19/2) na revista Molecular Autism. A principal expectativa dos especialistas do Reino Unido é de que, com o diagnóstico, as crianças possam receber tratamento e acompanhamento adequado com mais antecedência.

De acordo com o estudo, foi encontrado um vínculo entre os distúrbios do espectro autista e danos às proteínas no plasma sanguíneo. No exame do plasma, os especialistas descobriram que as crianças com ASD apresentaram níveis mais elevados de uma substância chamada ditrosina de oxidação (DT) e certos compostos modificados com açúcar, denominados produtos finais de glicação avançada (AGEs). As mudanças em vários compostos foram combinadas usando técnicas de algoritmo de inteligência artificial para desenvolver uma equação matemática para distinguir entre ASD e controles saudáveis. O resultado foi um teste de diagnóstico melhor do que qualquer método existente.

A equipe britânica trabalhou em conjunto com pesquisadores da Universidade de Bolonha, na Itália. Lá, 38 crianças foram acompanhadas, às quais tinham sido diagnosticadas problemas de autismo, juntamente com um grupo de controle de 31 crianças, entre 5 e 12 anos. Amostras de sangue e urina foram retiradas das crianças para análise.

Causas genéticas, mutações e meio ambiente

Acredita-se que causas genéticas sejam responsáveis por cerca de um terço dos casos deste tipo de distúrbio, enquanto o resto é causado por uma combinação de fatores ambientais, mutações e variantes genéticas raras. Os cientistas, no entanto, acreditam que os novos testes podem revelar as causas do ASD ainda a serem identificadas. Eles também confirmaram a crença de que as mutações dos transportadores de aminoácidos são uma variante genética associada ao ASD.

Eles devem repetir o estudo com outros grupos de crianças para confirmar o bom desempenho do diagnóstico e para avaliar se o teste poderia identificar ASD em estágios ainda mais precoces, além de indicar como o ASD provavelmente se desenvolverá para doenças mais graves e avaliar se os tratamentos estavam funcionando. "Com testes adicionais, podemos revelar perfis específicos de plasma e urinário - ou 'impressões digitais' de compostos com modificações prejudiciais. Isso pode nos ajudar a melhorar o diagnóstico de ASD e aponta o caminho para novas causas de ASD, a docente de Biologia Experimental Naila Rabbani, que lidera a pesquisa na Universidade de Warwick.

Os transtornos do espectro autista afetam principalmente a interação e a comunicação social. Os sintomas incluem distúrbios de fala, comportamento repetitivo e/ou compulsivo, além de hiperatividade, ansiedade e dificuldade na adaptação a novos ambientes e rotinas. Com uma ampla gama de sintomas, com variados graus de comprometimento, o diagnóstico é uma verdadeira via crucis para os pais e pacientes. As incertezas ocorrem particularmente nos estágios iniciais de desenvolvimento da criança. 
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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