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Formigas formam ''equipes médicas'' para cuidar de companheiras feridas

Segundo um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, algumas formigas socorrem suas companheiras feridas em operações de caça. O comportamento reduz de 80% para 10% a mortalidade dos insetos

Por: AFP

Publicado em: 15/02/2018 19:02

Formigas africanas feridas em guerra contra cupins, soltam feromônios solicitando ajuda de companheiras para receberem cuidados. Foto: AFP (Foto: AFP)
Formigas africanas feridas em guerra contra cupins, soltam feromônios solicitando ajuda de companheiras para receberem cuidados. Foto: AFP (Foto: AFP)


As formigas africanas matabele socorrem as companheiras feridas nas operações de caça e cuidam delas até que recuperem totalmente a saúde - aponta um estudo publicado nesta quarta-feira (14/2), que mostrou aspectos "assombrosos" do comportamento animal.

Depois de evacuar as companheiras feridas dos campos de batalha e levá-las para o ninho, as formigas atuam como equipes médicas, reunindo-se em torno dos pacientes para lamber seus ferimentos de forma "intensa", relata um estudo publicado na revista "Proceedings of the Royal Society B".

Esse comportamento reduz de 80% para 10% a mortalidade das formigas-soldado feridas, observam os pesquisadores.

"Isso não se faz por meio do autocuidado, que é algo conhecido por muitos animais, mas mediante um tratamento feito por outros, que, lambendo intensamente a ferida, impedem que haja uma infecção", explicou o coautor do estudo Erik Frank, concluído pela Universidade de Lausanne, na Suíça.

Uma das maiores espécies que existem, essas formigas são guerreiras ferozes e atacam inclusive humanos com sua mordida.

Descobertas
Esses insetos, que levam o nome da aguerrida tribo da África meridional, caçam cupins, que são animais maiores do que elas, atacando os lugares onde se alimentam em colunas de 200 a 600 indivíduos.

Este método leva à baixa de muitas formigas, que, com frequência, perdem suas extremidades pelas mordidas dos cupins.

"Depois da batalha, as formigas feridas pedem ajuda com feromônios", explicou Frank.

As "socorristas" usam suas desenvolvidas mandíbulas para recolher as feridas e arrastá-las para o ninho para serem tratadas.

Ainda mais impressionante é que as guerreiras que estão gravemente feridas - por exemplo, insetos que perderam cinco, ou seis, pernas - fazem um sinal para os membros da equipe de resgate para que não percam tempo com elas.

Para a Universidade de Wurtzburgo essa descoberta gera vários questionamentos, considerando essas revelações como "assombrosas".

"Como as formigas sabem exatamente onde tem uma companheira ferida? Como sabem quando deixar de atender as feridas? O tratamento é meramente preventivo, ou é algo terapêutico, depois que a infecção se instalou?", questionou a instituição.
TAGS: inseto | animal | formiga | familia | saude |
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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