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Descoberta

'Cidadãos cientistas' descobrem 5 'super-Terras' na órbita de estrela

De acordo com a Nasa, é a primeira vez que um sistema com vários planetas é descoberto por um projeto realizado exclusivamente dentro do conceito de ciência do cidadão. Os resultados foram publicados na revista científica The Astronomical Journal.

Por: AE

Publicado em: 15/01/2018 20:18

Cinco novos planetas foram descobertos na órbita de uma estrela distante foram descobertos por um projeto de "ciência do cidadão", como são chamadas as iniciativas científicas que contam com a participação de pessoas comuns para produzir conhecimento científico de verdade. A informação foi divulgada pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos.

O projeto, chamado Exoplanet Explorers, faz parte da plataforma Zooniverse, que utiliza dados do telescópio espacial Kepler. A plataforma permite que pessoas comuns ajudem a Nasa a analisar a imensa quantidade de informação captada pelo Kepler. 

Na busca por exoplanetas, o Kepler observa o céu em inúmeras direções, medindo o brilho das estrelas. Quando há um planeta na órbita de uma estrela, sua passagem diante dela causa uma redução minúscula de seu brilho - que o cientistas chamam de "trânsito". 

Quando os instrumentos extremamente sensíveis do Kepler detectam um trânsito diante de uma estrela, ela é "marcada" para que os astrônomos possam analisá-la individualmente e decidir se ali há mesmo um candidato a exoplaneta.

Lançado em 2009 com a missão de descobrir exoplanetas - como são chamados os planetas que existem fora do Sistema Solar - o Kepler já identificou quase 4,5 mil candidatos a exoplanetas, dos quais 2.341 foram confirmados. 

O Kepler, porém, possui dados de quase meio milhão de estrelas e a maior parte ainda não foi analisada pelos cientistas. Por isso os dados do telescópio espacial foram incluídos no projeto Exoplanet Explorers, desenvolvido pelos cientistas Ian Crossfield, da Universidade da California em Santa Cruz, e Jessie Christiansen, da Caltech - ambos dos Estados Unidos.

"As pessoas podem se conectar à plataforma em qualquer lugar e aprender como são os sinais reais emitidos por um exoplaneta. Depois, elas têm acesso aos dados reais coletados pelo telescópio Kepler e avaliam se eles podem ser classificados como um sinal de trânsito, ou se é apenas ruído", explicou Jessie. "Tivemos cada sinal de trânsito potencial observado por um mínimo de 10 pessoas e cada um precisou de um mínimo de avaliações positivas de 90% para que o candidato a exoplaneta possa ser cogitado para uma caracterização mais precisa", disse a cientista.

No início de abril de 2017, duas semanas após o lançamento do protótipo inicial do Exoplanet Explorers no Zooniverse, ele foi apresentado por Jessie e Crossfield no programa de TV Stargazing Live, da emissora australiana ABC Australia. Nas primeiras 48 horas após a veiculação do programa, o projeto recebeu mais de 2 milhões de classificações de mais de 10 mil usuários.

De volta à Califórnia, a dupla de cientistas se reuniu com o astrônomo Geert Barentsen, da Nasa, que também viajara à Austrália, para examinar os resultados obtidos pelo público. Meses depois, eles voltaram à Austrália para uma segunda edição do programa televisivo e apresentaram os candidatos a exoplanetas localizados até ali: 44 planetas do tamanho de Júpiter, 72 do tamanho de Netuno, 44 do tamanho da Terra e 53 "super-Terras", isto é, planetas maiores do que a Terra e menores do que Netuno.

Os astrônomos então focaram a busca em estrelas que tinham sinais da presença de mais de um planeta. Depois da validação dos dados, eles voltara ao programa da TV australiana para a terceira e última edição dedicada ao projeto. Eles descobriram uma estrela com a presença de quatro exoplanetas. Três dos quatro tinham avaliações positivas de 100% dos participantes.

K2-138
Depois do anúncio da descoberta, os cientistas continuaram a trabalhar para caracterizar o novo sistema planetário, batizado de K2-138 e, além de concluírem que a estrela tinha mesmo quatro planetas em sua órbita, descobriram um quinto exoplaneta que ainda não havia sido identificado.

Segundo os astrônomos, a estrela mãe do sistema K2-138 é um pouco menor e mais fria do que o Sol. Os cinco exoplanetas descobertos têm dimensões maiores do que a da Terra e menores do que as de Netuno. O planeta B, segundo os cientistas, pode ser rochoso, mas os planetas C, D, E e F provavelmente contenham grandes quantidades de gelo e gás. Os cinco planetas têm períodos orbitais - isto é, o tempo necessário para dar uma volta em torno da estrela - de 13 dias e são incrivelmente quentes, com temperaturas superficiais de 420ºC a 980ºC.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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