Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Ciência e Saúde
PROTEÇÃO CARDÍACA Presente em frutas como a banana, potássio pode evitar infartos e derrames Efeito benéfico do mineral é comprovado em testes com ratos e humanos, segundo pesquisadores dos Estados Unidos

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 09/10/2017 09:53 Atualizado em: 09/10/2017 10:04

Reprodução/Internet (Reprodução/Internet)
Reprodução/Internet
Para evitar câimbras durante a prática de atividades físicas, especialistas recomendam o consumo de alimentos ricos em potássio, como a banana. O mineral ajuda o músculo a ter mais energia e a relaxar. Efeito que também pode fazer bem para o coração, segundo um estudo norte-americano. Em animais, pesquisadores observaram que o potássio evita o endurecimento das artérias, o que pode gerar complicações cardiovasculares, como o infarto e o derrame. Detalhes do trabalho foram publicados na revista JCI Insight e podem ajudar a definir novas estratégias de proteção cardíaca.


Definido como "uma feliz surpresa", o trabalho surgiu de um procedimento padrão em laboratórios. "Sempre usamos fosfato de sódio para induzir a calcificação das células do músculo liso vascular no sistema de cultura de células. Um dos nossos parceiros adicionou alguns produtos químicos diferentes, incluindo o fosfato de potássio. Inesperadamente, ele descobriu que essa substância inibiu a calcificação das células musculares lisas", conta ao Correio Yabing Chen, professora de patologia da Universidade do Alabama e pesquisadora do Centro Médico de Birmingham.

A fim de avaliar melhor os efeitos do primeiro experimento, os cientistas decidiram analisar o impacto do mineral em ratos vivos. Os cientistas fizeram com que os animais se tornassem propensos à aterosclerose - quando ocorre um acúmulo de placas de colesterol nas paredes das artérias, o que pode causar a obstrução do fluxo sanguíneo - e os dividiram em grupos que seguiram dietas com níveis diferentes de potássio: baixo (0,3%), normais (0,7%) e alto (2,1%).

Os ratos alimentados com baixo teor do mineral apresentaram aumento significativo na calcificação vascular, processo de espessamento e perda de elasticidade da parede muscular das artérias que pode levar à aterosclerose. “Essa calcificação das células musculares lisas vasculares é altamente perigosa em uma variedade de condições patológicas, como aterosclerose, diabetes e insuficiência renal crônica”, lista a autora. No caso das cobaias com uma dieta com alto teor de potássio, houve inibição do processo.

Outra constatação importante foi a de que os roedores que receberam baixo teor de potássio apresentaram rigidez aumentada da aorta — maior e mais importante artéria do sistema circulatório do corpo humano. Estudos conduzidos pela equipe já mostravam a relação do potássio com a saúde cardiológica. “Em outras investigações com humanos, vimos que níveis baixos desse mineral estão associados a doenças cardiovasculares, como hipertensão e insuficiência cardíaca crônica, e reforçam a noção de que uma dieta rica em potássio e suplementos desse mineral podem ser úteis para melhorar as condições cardiovasculares”, reforça Chen.

Suspeita clínica

Roberto Cândia, cardiologista do Laboratório Exame, em Brasília, acredita que o estudo traz consistência a uma suspeita na área médica. "Sabemos que o baixo consumo de potássio pode causar arritmia, mas essa relação com a rigidez vascular é algo novo na área e reforça a relação do mineral com a saúde vascular", diz. O cardiologista também ressalta que novas estratégias para evitar o endurecimento das artérias são muito bem-vindas. "O enrijecimento das artérias é algo que pode causar problemas graves, como aumentar a pressão arterial, que desencadeia outras complicações. Combatê-lo é algo importante para quem já tem problemas cardíacos", explica.

Cândia acredita que uma análise mais aprofundada em humanos poderá ajudar a planejar a melhor forma de prevenir problemas cardíacos pelo consumo do potássio. "Seria interessante observar os efeitos que ocorrem no corpo humano, ver se eles repetem o que foi visto nos ratos. Com isso, estratégias na alimentação podem surgir, como o aumento do consumo de banana, abacate e mamão, alimentos com maior concentração maior de potássio."

A autora conta que os estudos em andamento têm a intenção de melhor caracterizar o papel do mineral na regulação da rigidez e da calcificação vascular em seres humanos. "Queremos testar a função das vias de sinalização identificadas em modelos animais novamente, além de avaliar pacientes com problemas cardiovasculares. Além disso, queremos saber se podem existir mais efeitos protetores do potássio na dieta", adianta Yabing Chen.


Palavra de especialista

Necessidade de mais estudos

"Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo. O potássio é um importante mineral e sua ingestão, por meio do consumo de alimentos de verdade, reduz riscos cardiovasculares e está relacionado ao controle da pressão arterial, uma vez que atenua efeitos do sódio sobre o corpo. A carência dele predispõe a diminuição da atividade muscular e, como sugere o estudo in vivo, aumenta os riscos de calcificação e rigidez aórtica, levantando a hipótese de que uma dieta rica em potássio previna tais eventos. No entanto, mais estudos devem ser realizados, especialmente investigações clínicas randomizadas ou revisões sistemáticas, a fim de fortalecer tal hipótese"

Mônika Coelho, nutricionista especialista em nutrição clínica e esportiva da La Tènne, em Goiânia


Entenda os riscos da escoliose para saúde
Primeira Pessoa com Bione
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco