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Notícia de Ciência e Saúde
MUNDO ANIMAL Cachorros utilizariam mímicas para se comunicar com humanos Para chegar a essas conclusões, Juliane Kaminski e seus colegas estudaram 24 cachorros de raças diferentes, com idades compreendidas entre um e 12 anos. Todos eram animais de estimação

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 19/10/2017 20:03 Atualizado em: 19/10/2017 20:05

 (Suzane Cordeiro/AFP)
Paris, França - Orelhas parcialmente caídas, olhar de coitado, rabo entre as patas: o melhor amigo do homem pode fazer tais mímicas para transmitir uma mensagem e não apenas como reação emocional, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira (19/10) no Scientific Reports.

Nós já sabemos que os cães são muito sensíveis à atenção humana. "Mas nossos resultados vão mais longe, sugerindo que devemos interpretar os movimentos de seus rostos como meio de comunicação", explica à AFP  Juliane Kaminski, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, uma das autoras desses trabalho.

Para chegar a essas conclusões, Juliane Kaminski e seus colegas estudaram 24 cachorros de raças diferentes, com idades compreendidas entre um e 12 anos. Todos eram animais de estimação. Os pesquisadores filmaram os cães e suas expressões colocando-os a um metro de um ser humano, estando este de frente, de costas, atendou ou distraído.

Resultado: "os músculos do rosto do cão se movem mais se o ser humano estiver atento", afirma Juliane Kaminski. "E o olhar de coitadinho" é a expressão que eles adotam com mais frequência. Os experimentos realizados também possibilitaram demonstrar que o animal era menos expressivo diante da comida, sinônimo de prazer para ele.

Os pesquisadores deduzem que, em face do homem, o cão expressa mais do que uma simples emoção. "Os resultados podem indicar que os cães são sensíveis à atenção dos seres humanos e que suas expressões são tentativas potencialmente ativas de se comunicar, e não apenas exibições emocionais", diz a pesquisadora.

Mas não se deve deduzir que um animal de estimação faz seu olhar de coitado para amolecer seu mestre. De acordo com a equipe, este trabalho não permite afirmar que os cães são conscientes do que um ser humano pode pensar ou sentir confrontado com seu mimetismo, uma faculdade considerada como sinal de alta inteligência, própria do homem.


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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