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Notícia de Ciência e Saúde
CIGARRO Fumar muda células pulmonares, preparando-as para desenvolver câncer Pesquisa é baseada em experimentos de laboratório com células pulmonares que foram expostas de forma crônica à fumaça de cigarro

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 11/09/2017 21:49 Atualizado em:

 (Osvaldo Corneti/Fotos Públicas)
A exposição crônica à fumaça de cigarro pode mudar as células dos pulmões ao longo do tempo, tornando-as mais vulneráveis a doenças e preparando-as para desenvolver câncer, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11/9).
 
O artigo publicado pela revista especializada Cancer Cell é baseado em experimentos de laboratório com células pulmonares que foram expostas de forma crônica à fumaça de cigarro, o equivalente a pessoas que fumaram de 20 a 30 anos.

Depois de 10 dias, as células começam a mudar sua expressão genética, um processo conhecido como mudança epigenética. Mas demorou dez meses para que essas mudanças fossem suficientes para aumentar as possibilidades de desenvolver câncer.

"Quando você está fumando, cria um substrato de mudanças epigenéticas que hipoteticamente aumenta suas possibilidades para desenvolver câncer de pulmão", disse o coautor do estudo Stephen Baylin, codiretor do programa Cancer Biology da Universidade Johns Hopkins. "Se você não é fumante, seu risco de câncer de pulmão é muito baixo", disse o acadêmico.

Estas anomalias epigênicas desativam uma série de genes que são necessários para ajudar a proteger as células normais do desenvolvimento do câncer. O fato de que as mudanças epigenéticas não alterem ou mutem a sequência dos genes do DNA básico sugere que há esperança para as pessoas que querem parar de fumar.

"Este trabalho sugere a possibilidade de que, diferentemente das mutações, que são muito difíceis de reverter, se você parar de fumar em certo momento e por determinado tempo, você tem chance de diminuir matematicamente as suas possibilidades de que ocorram mudanças epigenéticas", disse Michelle Vaz, coautora do estudo e pesquisadora da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. 

"A hipótese é que há potencialmente mudanças reversíveis que estão contribuindo para o desenvolvimento de certo tipo de cânceres de pulmão", indicou. 


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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